PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015
Paciente de cinco anos de idade, do sexo feminino, foi encaminhada para o ambulatório de cardiologia pediátrica para avaliação de um sopro cardíaco. É assintomática e apresenta bom desenvolvimento ponderoestatural. O desenvolvimento psicomotor foi normal. No exame físico, a paciente apresenta-se acianótica, com peso de 17 kg, estatura de 108 cm e pressão arterial de 85 x 55 mmHg. O exame do aparelho cardiovascular mostra bulhas cardíacas normais e sopro contínuo ++/IV na borda esternal direita alta que desaparece em decúbito dorsal. Os pulsos são normais nos quatro membros. O diagnóstico mais provável é:
Sopro contínuo em BEDA que desaparece em decúbito dorsal = Zumbido venoso (sopro inocente).
A descrição de um sopro contínuo na borda esternal direita alta em uma criança assintomática, com bom desenvolvimento e que desaparece em decúbito dorsal, é clássica do zumbido venoso, um sopro cardíaco inocente. É crucial diferenciá-lo de sopros patológicos, como a persistência do canal arterial, que também é contínuo, mas tem localização e características distintas.
O zumbido venoso é o sopro inocente mais comum em crianças, representando uma fonte frequente de encaminhamentos para cardiologia pediátrica. É crucial para o médico generalista e o residente saber reconhecê-lo para evitar ansiedade desnecessária aos pais e exames complementares dispendiosos. Sua fisiopatologia está relacionada ao fluxo turbulento nas veias jugulares internas e subclávias, que se transmite à parede torácica. Clinicamente, o zumbido venoso é caracterizado por um sopro contínuo, de tonalidade suave, mais audível na borda esternal direita alta ou nas regiões supraclaviculares. O ponto-chave para seu diagnóstico é a sua modificação com a posição: ele tipicamente desaparece ou diminui significativamente quando a criança assume a posição supina (decúbito dorsal) ou quando há compressão suave da veia jugular ipsilateral. A ausência de sintomas e um bom desenvolvimento ponderoestatural reforçam a natureza inocente do sopro. O diagnóstico diferencial é importante, especialmente com a Persistência do Canal Arterial (PCA), que também é um sopro contínuo, mas geralmente 'em maquinaria', mais intenso e localizado na borda esternal esquerda alta ou região infraclavicular, e não se modifica com as manobras que afetam o zumbido venoso. Outros sopros patológicos geralmente são sistólicos ou diastólicos e acompanhados de sintomas. O reconhecimento do zumbido venoso permite tranquilizar a família e evitar investigações invasivas, focando na observação e acompanhamento clínico.
O zumbido venoso é um sopro contínuo, de baixa intensidade (geralmente ++/IV), mais audível na borda esternal direita alta ou região supraclavicular. É um sopro inocente, ou seja, não indica doença cardíaca estrutural, e é comum em crianças assintomáticas.
O zumbido venoso se diferencia da Persistência do Canal Arterial (PCA) principalmente pela localização (BEDA ou supraclavicular para zumbido venoso vs. BESE alta/infraclavicular para PCA) e pela manobra de desaparecimento: o zumbido venoso desaparece ou diminui em decúbito dorsal ou com a compressão da veia jugular ipsilateral, o que não ocorre na PCA.
Sinais de alerta para um sopro patológico incluem cianose, baixo ganho ponderoestatural, dispneia, fadiga, dor torácica, síncope, pulsos anormais, ou sopros de alta intensidade que não se modificam com a posição ou manobras. A presença de sintomas é um forte indicador de patologia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo