Trauma Penetrante de Pescoço: Zonas e Conduta em Estáveis

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Homem, 31 anos. Vítima de agressão por PAF. Observa-se orifício de entrada em sulco nasogeniano direito e saída no esternocleidomastoideo esquerdo, ao nível da proeminência laríngea. Apresenta-se estável e com hematoma próximo ao orifício de saída. Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O trauma acomete as zonas 2 e 3. A angio-TC cervical está bem indicada.
  2. B) O trauma acomete as zonas 1 e 2. A EDA deve ser solicitada primeiro.
  3. C) O trauma acomete as zonas 1 e 3. Está indicado cervicotomia exploradora.
  4. D) Devemos realizar Rx e esofagograma. Se negativos, tratamento expectante.
  5. E) As lesões da zona 1 têm a menor letalidade.

Pérola Clínica

Trauma penetrante de pescoço em paciente estável: Angio-TC cervical para avaliar zonas 2 e 3; zona 1 é a mais letal.

Resumo-Chave

Em traumas penetrantes de pescoço, a localização da lesão é crucial para o manejo. As zonas 2 e 3 são frequentemente avaliadas com exames de imagem como a angio-TC cervical em pacientes estáveis. A zona 1, por abrigar estruturas vitais como grandes vasos e ápice pulmonar, é associada à maior letalidade.

Contexto Educacional

O trauma penetrante de pescoço é uma emergência cirúrgica que exige avaliação rápida e precisa devido à complexidade anatômica da região, que abriga estruturas vitais como vasos sanguíneos (carótidas, vertebrais, jugulares), via aérea (laringe, traqueia), trato digestivo (faringe, esôfago), nervos (cranianos, plexo braquial) e coluna cervical. A classificação do pescoço em zonas anatômicas (Zona 1, 2 e 3) é fundamental para guiar a investigação e o manejo. A Zona 1 estende-se da clavícula ao cricóide, contendo grandes vasos, ápice pulmonar e mediastino, sendo associada à maior letalidade. A Zona 2, do cricóide ao ângulo da mandíbula, é a mais frequentemente lesada e a mais acessível cirurgicamente. A Zona 3, do ângulo da mandíbula à base do crânio, envolve estruturas de difícil acesso cirúrgico. A conduta inicial sempre prioriza a estabilização da via aérea e o controle de hemorragias. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, a abordagem diagnóstica tem evoluído. A angio-TC cervical tornou-se o exame de escolha para avaliar lesões vasculares, de via aérea e digestiva em todas as zonas, permitindo uma abordagem seletiva e reduzindo a necessidade de cervicotomias exploradoras desnecessárias. A cervicotomia exploradora imediata é reservada para pacientes instáveis ou com sinais claros de lesão grave. O tratamento expectante, após exames de imagem negativos, pode ser considerado em casos selecionados.

Perguntas Frequentes

Quais são as zonas anatômicas do pescoço e suas importâncias no trauma?

O pescoço é dividido em três zonas: Zona 1 (da clavícula à cartilagem cricoide), Zona 2 (da cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula) e Zona 3 (do ângulo da mandíbula à base do crânio). A Zona 1 é a mais letal devido à proximidade com grandes vasos e mediastino, enquanto a Zona 2 é a mais frequentemente lesada e acessível cirurgicamente.

Quando a angio-TC cervical é indicada em traumas penetrantes de pescoço?

A angio-TC cervical é bem indicada em pacientes estáveis com trauma penetrante de pescoço, especialmente nas zonas 1 e 3, para avaliar lesões vasculares, de via aérea e digestiva. Ela ajuda a identificar a extensão da lesão e guiar a necessidade de intervenção cirúrgica ou endovascular.

Quais são os sinais de alarme que indicam a necessidade de cervicotomia exploradora imediata?

Sinais de alarme incluem instabilidade hemodinâmica, hemorragia ativa incontrolável, expansão de hematoma, sopro ou frêmito cervical, comprometimento de via aérea (estridor, dispneia), disfagia grave, enfisema subcutâneo extenso e déficits neurológicos focais.

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