CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Em um paciente com ectrópio cicatricial após trauma cortante da pálpebra inferior e com linha de cicatrização tracional vertical acometendo somente a lamela anterior da pálpebra, qual a técnica cirúrgica mais indicada?
Tração vertical em lamela anterior → Zetaplastia para alongamento tecidual e correção do ectrópio.
A zetaplastia é uma técnica de transposição de retalhos triangulares indicada para alongar cicatrizes lineares que causam tração vertical, sendo ideal para ectrópios cicatriciais focais.
O ectrópio cicatricial representa um desafio na oculoplástica, pois a correção exige a liberação da tração e a reposição da lamela anterior. No trauma cortante com cicatrização vertical, a força tracional é perpendicular à margem palpebral, o que evertê a pálpebra. A zetaplastia é uma ferramenta versátil que utiliza princípios de geometria de retalhos para ganhar comprimento às custas da largura. Em casos onde a lamela posterior (tarso e conjuntiva) está íntegra, a correção da lamela anterior via zetaplastia costuma ser definitiva e esteticamente superior a enxertos, pois utiliza tecidos com características (cor e textura) idênticas às da área lesionada.
O ectrópio cicatricial ocorre devido ao encurtamento da lamela anterior da pálpebra (pele e músculo orbicular), que 'puxa' a margem palpebral para longe do globo ocular. As causas comuns incluem traumas lacerantes, queimaduras, cirurgias prévias (como blefaroplastias excessivas), condições inflamatórias crônicas da pele ou dano actínico severo. Diferencia-se do ectrópio involucional por não ser causado primariamente por frouxidão ligamentar.
A zetaplastia consiste na criação de dois retalhos triangulares de transposição. Ao trocar a posição desses retalhos, a técnica consegue dois objetivos principais: o alongamento de uma cicatriz na direção de sua linha central (eixo da tração) e a mudança na direção da cicatriz original. Isso redistribui a tensão tecidual, permitindo que a margem palpebral retorne à sua posição anatômica correta.
A zetaplastia é preferível quando existe uma banda cicatricial linear e vertical bem definida com pele adjacente saudável e suficiente para a transposição dos retalhos. Se houver uma deficiência generalizada de pele na lamela anterior (como em grandes queimaduras ou dermatocalase excessivamente ressecada), a zetaplastia pode ser insuficiente, sendo necessário o uso de enxertos de pele total (geralmente de pele retroauricular ou da pálpebra superior contralateral).
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