UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 32 anos refere que sofreu na infância queimaduras de 2º e 3º graus no pescoço e pé esquerdo. Relata surgimento de uma lesão ulcerada, pouco dolorosa e mal delimitada em área de queimadura do pé. Para tratar o problema de dificuldade de mobilidade da paciente, a melhor conduta é:
Contratura cicatricial limitando mobilidade → Zetaplastia (ganho de comprimento e quebra da tensão).
A zetaplastia é a técnica de escolha para liberar contraturas cicatriciais lineares que limitam o movimento, permitindo o alongamento do tecido através da transposição de retalhos triangulares.
As sequelas de queimaduras graves frequentemente resultam em cicatrizes hipertróficas e contraturas que cruzam articulações, causando prejuízo funcional significativo. A fisiopatologia envolve a substituição do tecido elástico por colágeno denso e desorganizado durante a fase de remodelação. Quando essa cicatriz forma uma 'ponte' ou brida, ela impede a amplitude total de movimento. A zetaplastia destaca-se na cirurgia reconstrutiva por ser uma manobra geométrica elegante que redistribui a tensão cutânea. Além do ganho funcional, ela ajuda a quebrar a linha reta da cicatriz, tornando-a menos visível e mais flexível. Em casos de úlceras crônicas em áreas de queimadura, o cirurgião deve estar atento tanto à necessidade de reconstrução funcional quanto à vigilância oncológica.
A zetaplastia é uma técnica cirúrgica que consiste na criação de dois retalhos triangulares de ângulos iguais, dispostos em formato de 'Z'. Ao transpor esses retalhos, o cirurgião consegue dois objetivos principais: o alongamento de uma cicatriz linear (ganho de comprimento no eixo central) e a mudança na direção da cicatriz para que ela se alinhe melhor às linhas de menor tensão da pele. É a técnica fundamental para tratar bridas e contraturas que limitam articulações.
Cicatrizes de queimaduras de espessura total que sofrem trauma crônico ou cicatrização instável podem desenvolver a Úlcera de Marjolin. Trata-se de um carcinoma espinocelular (CEC) que surge sobre uma cicatriz crônica. Diante de uma lesão ulcerada, pouco dolorosa e mal delimitada em área de queimadura antiga, a biópsia é mandatória para excluir malignidade, embora a correção da contratura mecânica exija técnicas como a zetaplastia.
Os ângulos mais comuns são de 60 graus, que teoricamente proporcionam um ganho de comprimento de cerca de 75% na cicatriz original. Ângulos menores (30 ou 45 graus) dão menos ganho de comprimento, enquanto ângulos maiores podem dificultar a transposição dos retalhos devido à tensão excessiva. A escolha depende da elasticidade da pele adjacente e da necessidade de alongamento.
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