CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2024
Com relação à lesão conjuntival de formato triangular, aspecto fosco, espumoso e superfície áspera, conhecida como "mancha de Bitot", é correto afirmar:
Mancha de Bitot = Deficiência de Vitamina A + Localização temporal lateral + Aspecto espumoso.
As manchas de Bitot são sinais patognomônicos de xeroftalmia por deficiência de vitamina A, localizadas tipicamente na conjuntiva bulbar temporal.
A deficiência de vitamina A é uma das principais causas de cegueira evitável no mundo. A vitamina A é essencial para a manutenção do epitélio mucosecretor; sua falta leva à metaplasia escamosa e perda das células caliciformes (goblet cells), resultando em xerose conjuntival e corneal. A Mancha de Bitot representa o estágio X1B da classificação de xeroftalmia da OMS. Além da mancha, o quadro clínico pode incluir cegueira noturna (nictalopia), xerose corneal e, em casos graves, ceratomalácia (derretimento da córnea). O diagnóstico é clínico e a resposta ao tratamento com vitamina A costuma ser rápida, com desaparecimento da mancha em poucas semanas.
O aspecto espumoso é causado pelo acúmulo de queratina descamada e pela produção de gás por bactérias saprófitas, como o Corynebacterium xerosis, que colonizam a superfície conjuntival alterada pela metaplasia escamosa.
A lesão localiza-se mais frequentemente na conjuntiva bulbar lateral (temporal), dentro da fenda palpebral. Ela tem formato triangular com a base voltada para o limbo.
O tratamento consiste na reposição sistêmica imediata de Vitamina A (Retinol). O esquema da OMS para crianças envolve doses orais elevadas no dia 0, dia 1 e após 2 semanas, visando reverter a xeroftalmia e prevenir a ceratomalácia.
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