HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020
Marina, quatro anos de idade, tem hábito de "segurar o xixi" até a sensação de urgência. Nos últimos três dias está urinando com maior frequência, com volumes pequenos e sem disúria. Refere ardor em região genital durante o banho. Realizado coleta de urina por jato médio e que apresentou os seguintes resultados: EAS: densidade 1015; ph 5; proteína negativa; glicose negativa; nitrito negativo; leucócitos 90.000/mm³: eritrócitos 15.000/mm³ sem dismorfismo e urocultura com crescimento de Corynebacterium 10.000 col/mm³. O diagnóstico provável é
Criança com sintomas urinários + nitrito negativo + leucocitúria + urocultura com Corynebacterium < 100.000 UFC/mL → pensar em vulvovaginite ou contaminação.
A presença de sintomas urinários em crianças, especialmente meninas, com nitrito negativo no EAS, leucocitúria e urocultura com crescimento de germes considerados contaminantes (como Corynebacterium em baixa contagem) sugere vulvovaginite ou contaminação da amostra, e não infecção urinária. O ardor genital durante o banho reforça a hipótese de irritação local.
A avaliação de sintomas urinários em crianças, especialmente meninas, é um desafio diagnóstico comum na pediatria. É fundamental diferenciar entre infecção do trato urinário (ITU) e outras condições, como a vulvovaginite, que podem apresentar sintomas semelhantes. A vulvovaginite é uma inflamação da vulva e vagina, muito comum na infância devido à imaturidade anatômica e hormonal, higiene inadequada e proximidade com o ânus. No caso de Marina, a presença de leucocitúria e eritrócitos na urina, juntamente com sintomas de irritação genital (ardor no banho) e polaciúria sem disúria clássica, é sugestiva de um processo inflamatório local. O nitrito negativo no EAS e o crescimento de Corynebacterium em baixa contagem (10.000 col/mm³) na urocultura são achados cruciais. Corynebacterium é frequentemente um contaminante da flora cutânea e vaginal e, em baixas contagens, não é considerado um uropatógeno significativo. A ausência de nitrito reduz a probabilidade de ITU bacteriana. O diagnóstico de vulvovaginite é clínico, baseado nos sintomas e exame físico. O tratamento geralmente envolve medidas de higiene local, uso de roupas íntimas de algodão, evitar sabonetes irritantes e, se houver infecção secundária, antibióticos tópicos ou orais. É importante orientar a família sobre a higiene perineal correta e o hábito de 'segurar o xixi', que pode predispor a irritações e infecções.
Os sintomas incluem prurido, eritema, dor ou ardor na região vulvar, corrimento vaginal e, por vezes, sintomas urinários irritativos como disúria e polaciúria, que podem mimetizar uma infecção urinária, mas geralmente sem febre ou sinais sistêmicos.
A diferenciação é feita pela análise do EAS e urocultura. Na ITU, espera-se nitrito positivo e urocultura com crescimento significativo de uropatógenos (>100.000 UFC/mL). Na vulvovaginite, o nitrito é geralmente negativo, e a urocultura pode ser negativa ou apresentar germes contaminantes em baixa contagem, como no caso do Corynebacterium.
O nitrito é um indicador da presença de bactérias que convertem nitrato em nitrito. Um resultado positivo é altamente sugestivo de ITU. Um resultado negativo, como no caso, reduz a probabilidade de ITU, especialmente se associado a outros achados que apontam para vulvovaginite ou contaminação da amostra.
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