HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021
Uma jovem de 15 anos de idade, primigesta, solteira, recém-chegada a um determinado bairro de uma cidade de médio porte, procura a UBS para iniciar o pré-natal. Em visita domiciliar, a equipe de saúde da família constata que ela mora com sua mãe de 34 anos de idade e com a avó materna de 50 anos, em uma casa com ventilação ambiental precária, de um quarto, onde dormem as três mulheres. A avó é usuária de álcool, e elas vivem do dinheiro proveniente de faxinas feitas por ela e pela mãe. A médica percebe que a jovem é reservada, fala pouco, mas consegue averiguar que o pai da criança, de 25 anos, é membro de uma das famílias para a qual a jovem fazia faxina. Diante desse cenário, assinale a alternativa que contenha a abordagem adequada ao caso.
Abordagem em vulnerabilidade social = cuidado integral, multidisciplinar, articulado com rede de apoio e centrado no contexto do paciente.
Diante de uma situação de vulnerabilidade social complexa, a equipe de saúde da família deve adotar uma abordagem integral e multidisciplinar. Isso envolve construir um plano de cuidado que considere não apenas os aspectos clínicos, mas também as necessidades sociais, expectativas e crenças do paciente e sua família, articulando-se com a rede de apoio social.
A Atenção Primária em Saúde (APS), especialmente através da Estratégia Saúde da Família (ESF), é o nível de atenção mais adequado para lidar com situações de vulnerabilidade social, dada sua proximidade com a comunidade e sua abordagem integral. Casos como o da gestante adolescente em um contexto de múltiplas adversidades exigem uma visão ampliada que transcende o modelo biomédico. A abordagem adequada envolve a construção de um plano de cuidado singular, que considere os determinantes sociais da saúde, as expectativas e as crenças da família. Isso significa ir além da assistência clínica do pré-natal, buscando compreender e intervir sobre fatores como moradia, renda, violência, uso de substâncias e suporte familiar. A equipe multidisciplinar (médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, agentes comunitários de saúde) é essencial para essa construção coletiva. Para o residente, é crucial entender que a saúde não se limita à ausência de doença, mas é um estado de completo bem-estar físico, mental e social. A capacidade de articular ações com a rede de proteção social (Conselho Tutelar, CRAS, CREAS) e outros setores (educação, moradia) é uma competência fundamental para a prática na APS e um tema recorrente em provas que avaliam a compreensão do SUS e da saúde coletiva.
A equipe deve iniciar com acolhimento e escuta qualificada, buscando compreender o contexto de vida, as necessidades e as percepções da paciente e sua família. A visita domiciliar é uma ferramenta essencial para essa compreensão, permitindo identificar os determinantes sociais da saúde.
O papel da equipe multidisciplinar é fundamental para construir um plano de cuidado integral, que abranja aspectos clínicos, psicossociais e ambientais. Diferentes profissionais (médico, enfermeiro, assistente social, psicólogo) contribuem com suas expertises para uma visão holística e ações coordenadas.
A rede de proteção social (Conselho Tutelar, CRAS, CREAS) deve ser acionada quando houver suspeita ou confirmação de violação de direitos, negligência ou risco grave à criança/adolescente. O acionamento deve ser feito de forma articulada, com a equipe de saúde atuando em conjunto com esses órgãos para garantir a segurança e o bem-estar da paciente.
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