HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024
Marlene, 42 anos, negra, catadora de material reciclável, evangélica e divorciada, vive em habitação coletiva na zona Norte do município do São Paulo com 5 filhos menores de idade. É hipertensa e tabagista e teve pré-eclâmpsia em 2 gestações. Refere não poder usar anticoncepcional oral por recomendação do ginecologista. Não tem vida sexual ativa porque tem medo de engravidar novamente. Há 2 semanas recebeu visita da agente comunitária de saúde que agendou inserção de DIU de cobre com o médico de família no primeiro horário, para ela não perder o dia de trabalho, já que tem muito medo de perder o emprego. A dimensão de vulnerabilidade superada com essa intervenção pela equipe de saúde da família foi:
Vulnerabilidade programática = barreiras de acesso aos serviços de saúde, superadas por ações organizacionais e de gestão.
A vulnerabilidade programática refere-se às dificuldades de acesso e utilização dos serviços de saúde que são impostas pela própria organização e funcionamento do sistema de saúde. A ação da equipe de saúde da família, ao agendar o DIU em horário conveniente para a paciente não perder o trabalho, superou uma barreira programática, facilitando o acesso ao planejamento familiar.
O conceito de vulnerabilidade em saúde é multifacetado e essencial para a compreensão das iniquidades e para o planejamento de intervenções eficazes. Ele se desdobra em três dimensões principais: individual, social e programática. A vulnerabilidade individual refere-se às características intrínsecas do indivíduo (conhecimentos, atitudes, práticas de saúde). A vulnerabilidade social engloba as condições socioeconômicas, culturais e ambientais que afetam a saúde (pobreza, moradia, educação). A vulnerabilidade programática, por sua vez, diz respeito às barreiras de acesso e à qualidade dos serviços de saúde oferecidos pelo sistema. No caso de Marlene, diversas vulnerabilidades individuais (hipertensão, tabagismo, medo de engravidar) e sociais (negra, catadora, habitação coletiva, 5 filhos, divorciada) são evidentes. No entanto, a intervenção da equipe de saúde da família focou em superar uma barreira específica: a dificuldade de Marlene em acessar o serviço de inserção de DIU devido ao seu horário de trabalho e ao medo de perder o emprego. O agendamento em primeiro horário, facilitado pela agente comunitária de saúde, é uma ação que visa contornar uma falha na organização do serviço, ou seja, uma barreira programática. Para residentes, é fundamental identificar e diferenciar essas dimensões de vulnerabilidade. A atuação da equipe de saúde da família, especialmente através do Agente Comunitário de Saúde (ACS), é crucial para mitigar a vulnerabilidade programática, adaptando a oferta de serviços às necessidades e realidades da população. Essa flexibilidade e proatividade garantem que o cuidado chegue a quem mais precisa, promovendo a equidade e a integralidade no SUS.
As três dimensões da vulnerabilidade em saúde são: individual (características biológicas, comportamentais e de conhecimento do indivíduo), social (condições socioeconômicas, culturais e ambientais) e programática (acesso e qualidade dos serviços de saúde).
A equipe pode atuar flexibilizando horários de atendimento, realizando busca ativa, oferecendo transporte, simplificando processos, garantindo a disponibilidade de insumos e medicamentos, e promovendo a educação em saúde de forma acessível.
O ACS é fundamental por ser a ponte entre a comunidade e a equipe de saúde. Ele identifica as barreiras de acesso, orienta os usuários, realiza busca ativa e articula soluções, como o agendamento flexível, para garantir que os serviços cheguem a quem mais precisa.
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