Vômitos em Lactentes: Investigação de Causas Persistentes

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menina, 4m, é trazida para puericultura com história de vômitos após as mamadas desde o nascimento. Mãe refere sono agitado, irritabilidade e piora progressiva dos vômitos desde o início do quadro. Procurou serviço médico e foi orientado decúbito elevado e domperidona. Há dois meses o leite materno foi substituído por fórmula à base de aminoácidos 5 medidas fórmula em 150mL água a cada 2 horas, sem melhora. Antecedente pessoal: recém-nascido a termo, peso nascimento=3.130g. Exame físico: bom estado geral; anictérica; corada; peso=4,380Kg; fontanela plana e normotensa; exame neurológico normal; restante sem alterações. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Substituir domperidona por omeprazol.
  2. B) Indicar fundoplicatura total.
  3. C) Solicitar radiograma contrastado de esôfago-estômago-duodeno.
  4. D) Substituir a fórmula à base de aminoácidos por hidrolisado proteico.

Pérola Clínica

Lactente com vômitos persistentes, falha terapêutica e baixo ganho ponderal → investigar causas anatômicas/funcionais com EED.

Resumo-Chave

Um lactente com vômitos persistentes, irritabilidade, sono agitado e baixo ganho ponderal, mesmo após tentativas terapêuticas (decúbito elevado, domperidona, fórmula de aminoácidos), sugere uma causa subjacente que não apenas refluxo fisiológico. O radiograma contrastado de esôfago-estômago-duodeno (EED) é essencial para investigar malformações anatômicas ou disfunções.

Contexto Educacional

Vômitos em lactentes são uma queixa comum na puericultura, frequentemente atribuídos ao refluxo gastroesofágico fisiológico. No entanto, a persistência dos sintomas, associada a sinais de alarme como baixo ganho ponderal, irritabilidade e falha terapêutica, exige uma investigação aprofundada para descartar condições mais graves. A fisiopatologia dos vômitos pode variar desde um RGE patológico, onde há comprometimento da barreira antirrefluxo, até causas mecânicas como a estenose hipertrófica do piloro ou malformações congênitas. A história clínica detalhada, incluindo tipo de vômito, relação com alimentação e presença de outros sintomas, é fundamental para guiar a investigação. Nesse cenário, onde medidas conservadoras e farmacológicas (domperidona, fórmula de aminoácidos) falharam e o lactente apresenta comprometimento do ganho ponderal, a conduta prioritária é a investigação diagnóstica. O radiograma contrastado de esôfago-estômago-duodeno (EED) é o exame de escolha para identificar anomalias anatômicas do trato gastrointestinal superior que podem estar causando os vômitos.

Perguntas Frequentes

Quais sinais de alerta indicam que os vômitos de um lactente não são apenas refluxo fisiológico?

Sinais de alerta incluem baixo ganho ponderal, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, vômitos biliosos, hematêmese, distensão abdominal e falha em responder às medidas terapêuticas convencionais.

Por que o radiograma contrastado de esôfago-estômago-duodeno (EED) é importante neste caso?

O EED é crucial para descartar causas anatômicas de vômitos, como estenose hipertrófica do piloro, malrotação intestinal, membranas duodenais ou outras obstruções que requerem intervenção específica.

Quais são as principais causas de vômitos persistentes em lactentes além do refluxo gastroesofágico?

Além do RGE patológico, outras causas incluem alergia à proteína do leite de vaca (APLV), estenose hipertrófica do piloro, malformações congênitas do trato gastrointestinal, infecções, erros inatos do metabolismo e causas neurológicas.

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