Volvulus de Sigmoide: Diagnóstico e Descompressão Endoscópica

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente sexo masculino, 74 anos, comparece ao pronto atendimento com queixa de dor abdominal, parada de eliminação de fezes, flatos há 48 horas e vômitos. Ao exame físico se apresenta corado, hidratado, frequência cardíaca 88 bpm, pressão arterial 130 x 80 mmHg, abdome distendido sem sinais de irritação peritonial. Realizado RX abdome com sinal do U invertido e tomografia onde foi visualizada rotação do sigmoide sobre seu próprio eixo com distensão de alças à montante. Considerando o diagnóstico provável, qual a melhor conduta a ser tomada visando a resolução do quadro obstrutivo?

Alternativas

  1. A) Passagem de sonda nasogástrica e hidratação endovenosa por 48 horas.
  2. B) Realização de ileostomia em alça descompressiva.
  3. C) Laparotomia exploradora e fixação do sigmoide.
  4. D) Retossigmoidoscopia rígida ou flexível com possibilidade de colocação de sonda retal.

Pérola Clínica

Volvulus de sigmoide: descompressão endoscópica é a conduta inicial em paciente estável sem peritonite.

Resumo-Chave

O volvulus de sigmoide é uma causa comum de obstrução intestinal em idosos, caracterizado pela torção do cólon sigmoide. A descompressão endoscópica é a abordagem inicial preferencial para resolver a obstrução em pacientes sem sinais de peritonite, evitando cirurgia de emergência.

Contexto Educacional

O volvulus de sigmoide é uma condição caracterizada pela torção do cólon sigmoide em torno de seu mesentério, resultando em obstrução intestinal. É mais comum em idosos, pacientes institucionalizados e aqueles com histórico de constipação crônica. A apresentação clínica inclui dor abdominal súbita, distensão abdominal, náuseas, vômitos e parada de eliminação de fezes e flatos. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem. O raio-X de abdome pode mostrar o clássico "sinal do U invertido" ou "grão de café". A tomografia computadorizada é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, visualizando a torção do sigmoide e a distensão das alças a montante. É crucial avaliar a presença de sinais de isquemia ou perfuração intestinal. A conduta inicial para pacientes estáveis, sem sinais de peritonite, é a descompressão endoscópica via retossigmoidoscopia flexível ou rígida, com a possibilidade de inserção de uma sonda retal para manter a descompressão. Este procedimento é eficaz em cerca de 70-90% dos casos. A cirurgia (laparotomia exploradora com ressecção do sigmoide e anastomose primária ou colostomia) é reservada para casos de falha da descompressão endoscópica, recorrência, ou sinais de isquemia/perfuração.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos de imagem no volvulus de sigmoide?

No raio-X de abdome, o achado clássico é o "sinal do U invertido" ou "grão de café", que representa a alça sigmoide dilatada. A tomografia computadorizada confirma a rotação do sigmoide sobre seu próprio eixo.

Por que a retossigmoidoscopia é a conduta inicial no volvulus de sigmoide sem peritonite?

A retossigmoidoscopia permite a descompressão do cólon torcido, aliviando a obstrução e o risco de isquemia. É um procedimento menos invasivo que a cirurgia e pode ser curativo em muitos casos.

Quando a cirurgia é indicada no tratamento do volvulus de sigmoide?

A cirurgia de emergência é indicada em casos de peritonite, necrose intestinal ou perfuração. A cirurgia eletiva (ressecção e anastomose) é recomendada após a descompressão bem-sucedida para prevenir recorrências.

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