MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 78 anos, residente em instituição de longa permanência e com diagnóstico de Doença de Alzheimer avançada, é levado à Unidade de Emergência com quadro de distensão abdominal progressiva e parada de eliminação de gases e fezes há 3 dias. O paciente apresenta-se em bom estado geral, eupneico, com pressão arterial de 125 x 85 mmHg e frequência cardíaca de 82 bpm. Ao exame físico, o abdome encontra-se acentuadamente distendido e timpanítico à percussão, com dor leve à palpação profunda, porém sem sinais de irritação peritoneal. O toque retal revela ampola retal vazia. Os exames laboratoriais mostram Hemoglobina de 13,2 g/dL, Leucócitos de 9.400/mm³ sem formas jovens, Proteína C-Reativa de 8 mg/L e Creatinina de 1,1 mg/dL. A tomografia computadorizada de abdome realizada na admissão é apresentada na imagem abaixo. Com base no quadro clínico e no achado radiológico, a conduta inicial mais adequada é:
Vólvulo de sigmoide sem peritonite → Descompressão endoscópica inicial + Cirurgia eletiva.
Em pacientes estáveis com vólvulo de sigmoide e sem sinais de isquemia ou perfuração, a conduta inicial é a descompressão por colonoscopia ou sigmoidoscopia para reduzir o risco de necrose.
O vólvulo de sigmoide é uma causa comum de obstrução intestinal em idosos, especialmente aqueles institucionalizados ou com doenças neuropsiquiátricas. A fisiopatologia envolve a torção do cólon sobre seu próprio mesentério, levando à obstrução em alça fechada. O manejo inicial depende da estabilidade clínica e da ausência de complicações como gangrena ou perfuração. A descompressão endoscópica é o padrão-ouro inicial, mas deve ser seguida por cirurgia definitiva na mesma internação, pois a taxa de recorrência após apenas a descompressão é extremamente alta (até 60%).
A cirurgia de urgência, como a manobra de Hartmann, está indicada na presença de sinais de peritonite, instabilidade hemodinâmica ou evidência endoscópica de isquemia/necrose transmural da alça. Nesses casos, a tentativa de descompressão endoscópica é contraindicada pelo alto risco de perfuração e pela necessidade de ressecção do segmento inviável.
A descompressão endoscópica apresenta altas taxas de sucesso (70-90%) na resolução do quadro obstrutivo agudo, permitindo a estabilização do paciente e a realização de uma cirurgia definitiva (sigmoidectomia) em caráter eletivo, o que reduz significativamente a morbimortalidade em comparação com a cirurgia de emergência.
O achado clássico é o 'sinal do grão de café' ou 'sinal do U invertido', caracterizado por uma alça colônica imensamente dilatada que se projeta do quadrante inferior esquerdo em direção ao quadrante superior direito, ocupando grande parte do abdome.
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