Volvo de Sigmoide: Descompressão Endoscópica como Tratamento

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um paciente do sexo masculino, 93 anos, acamado, portador de neoplasia de pâncreas metastática, é trazido ao pronto atendimento por familiares com história de distensão abdominal e parada na eliminação de gases e fezes há 8 horas. Diz nunca ter tido esses sinais anteriormente. Ao exame, responde a ordens verbais e orientado no tempo. Regular estado geral, emagrecido, afebril e anictérico. PA 120 x 80 mmHg, FC 80 bpm, FR 14 mpm. A ausculta pulmonar e a cardíaca normais. Abdômen distendido, timpânico, podendo-se palpar o cólon na porção superior. É dolorosa a palpação profunda, mas não há descompressão brusca. Foi solicitada tomografia de abdômen, a qual revelou tratar-se de volvo do cólon sigmoide, sem pneumoperitôneo ou coleções intra-abdominais. Não há ar na ampola retal. Diante desses achados, qual é a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Neostigmina 0,5 mg subcutâneo.
  2. B) Cecostomia laparoscópica.
  3. C) Retossigmoidectomia convencional (aberta).
  4. D) Observação clínica por pelo menos 36 horas.
  5. E) Colonoscopia descompressiva.

Pérola Clínica

Volvo de sigmoide sem sinais de isquemia/perfuração → descompressão colonoscópica é a conduta inicial.

Resumo-Chave

Em pacientes com volvo de sigmoide sem sinais de peritonite ou perfuração (pneumoperitôneo), a descompressão colonoscópica é a abordagem inicial preferencial. Ela visa reduzir a torção e aliviar a obstrução, sendo menos invasiva que a cirurgia.

Contexto Educacional

O volvo de sigmoide é a torção de uma alça do cólon sigmoide sobre seu próprio mesentério, resultando em obstrução intestinal e, potencialmente, isquemia. É mais comum em idosos, acamados, com histórico de constipação crônica e, por vezes, associado a doenças neurológicas ou psiquiátricas. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal súbita, distensão abdominal progressiva, náuseas, vômitos e parada na eliminação de gases e fezes. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem. O raio-X de abdome pode mostrar o sinal do 'grão de café' ou 'U invertido'. A tomografia computadorizada é o exame de escolha, revelando a torção do sigmoide e avaliando a presença de complicações como isquemia ou perfuração. A ausência de ar na ampola retal é um achado comum na obstrução completa. A conduta inicial para volvo de sigmoide não complicado (sem sinais de isquemia ou perfuração) é a descompressão endoscópica por colonoscopia. Este procedimento visa destorcer a alça e aliviar a obstrução. Se a descompressão for bem-sucedida, o paciente é estabilizado e uma sigmoidectomia eletiva é geralmente planejada para prevenir a recorrência, dada a alta taxa de recidiva. Em casos de isquemia, perfuração ou falha da descompressão endoscópica, a cirurgia de urgência é imperativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme que indicariam uma cirurgia de urgência no volvo de sigmoide?

Sinais de alarme incluem peritonite (descompressão brusca positiva), pneumoperitôneo na tomografia (indicando perfuração), febre alta, leucocitose significativa e sinais de choque, que sugerem isquemia ou necrose intestinal.

Por que a colonoscopia descompressiva é a conduta inicial preferencial?

A colonoscopia permite a detorção do sigmoide e a descompressão do cólon, aliviando a obstrução de forma minimamente invasiva. É eficaz em cerca de 70-90% dos casos e evita a cirurgia de urgência, que tem alta morbimortalidade em pacientes idosos e com comorbidades.

Qual o risco de recorrência após a descompressão colonoscópica?

O risco de recorrência é alto, variando de 40% a 90%. Por isso, após a descompressão bem-sucedida e estabilização do paciente, a sigmoidectomia eletiva é geralmente recomendada para prevenir novos episódios, especialmente em pacientes com bom estado geral.

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