Volvo de Sigmoide: Manejo Inicial e Descompressão

HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 70 anos chega ao pronto-socorro apresentando um quadro de ausência de eliminação de gases e fezes há quatro dias, acompanhado de vômitos e piora no estado geral. Os sinais vitais mostraram: pressão arterial de 120x70 mmHg, frequência cardíaca de 110 bpm, temperatura corporal de 36,8 ℃ e frequência respiratória de 19 irpm. O hemograma revelou 9.000 leucócitos/mm³, sem evidência de desvio à esquerda. Após estabilização clínica inicial, foi realizado um exame radiológico, que evidenciou uma distensão significativa de gás no cólon, atingindo até a fossa ilíaca esquerda, sem dilatação do intestino delgado. Um clister opaco foi realizado, identificando o sinal característico de 'grão de café'. A abordagem terapêutica indicada inicialmente nesse caso é:

Alternativas

  1. A) Observação clínica.
  2. B) Laparotomia exploradora.
  3. C) Colostomia transversa à direita.
  4. D) Descompressão endoscópica do intestino grosso.

Pérola Clínica

Volvo de sigmoide estável → Descompressão endoscópica + Cirurgia eletiva posterior.

Resumo-Chave

O volvo de sigmoide é uma causa comum de obstrução colônica. Se não houver sinais de peritonite ou gangrena, a descompressão endoscópica é a conduta inicial.

Contexto Educacional

O volvo de sigmoide ocorre pela torção do cólon sobre seu próprio mesentério, comum em idosos e pacientes com megacólon chagásico. O quadro clínico é de obstrução intestinal distal progressiva. A descompressão via colonoscopia ou retossigmoidoscopia permite a saída de gases e fezes líquidas, revertendo o quadro agudo e permitindo que uma cirurgia de urgência seja convertida em um procedimento eletivo mais seguro.

Perguntas Frequentes

Qual o achado radiológico clássico do volvo de sigmoide?

O achado clássico na radiografia de abdome simples é o sinal do 'grão de café' ou 'U invertido'. Trata-se de uma grande alça colônica distendida que se origina da pelve e ocupa grande parte do abdome, com as paredes mediais da alça formando a linha central do grão. No clister opaco, observa-se o sinal do 'bico de pássaro' no ponto de torção.

Quando a descompressão endoscópica é contraindicada?

A descompressão endoscópica é contraindicada na presença de sinais clínicos ou radiológicos de peritonite, gangrena intestinal ou perfuração. Nesses casos, o paciente apresenta instabilidade hemodinâmica, febre, leucocitose importante e dor à descompressão, exigindo laparotomia exploradora imediata com ressecção do segmento afetado (geralmente cirurgia de Hartmann).

A descompressão endoscópica é o tratamento definitivo?

Não. Embora a descompressão tenha sucesso em aliviar a obstrução aguda em até 80% dos casos, a taxa de recorrência do volvo é extremamente alta (superior a 50%). Portanto, a conduta correta é realizar a descompressão para estabilizar o paciente e, na mesma internação, proceder com a sigmoidectomia eletiva após preparo adequado.

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