HPM - Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais — Prova 2020
Paciente 76 anos, sexo feminino, deu entrada no Pronto Atendimento acompanhada da cuidadora, queixando dor abdominal difusa, associado à parada de eliminação de fezes e flatus há cerca de 3 dias. Informava mal a respeito de sua história patológica pregressa, mas portava receituário médico de uso regular de losartana, furosemida, anlodipina, digoxina, metoprolol, lactulose, óleo mineral, sulfato ferroso, metformina e glibenclamida. Negava febre ou alterações urinárias. Já havia tido crises anteriores de dor abdominal em cólica, mas não havia procurado atendimento anteriormente. Relatava que um primo de segundo grau havia sido diagnosticado com câncer de intestino recentemente. A paciente nunca havia sido submetida à colonoscopia. Ao exame, apresentava abdome distendido difusamente, hipertimpânico, doloroso a palpação, porém sem irritação peritoneal. Toque retal evidenciava ampola retal vazia. Foi então submetida à radiografia de abdome, cuja imagem segue abaixo: Com base no caso clínico e exame de imagem acima, marque a alternativa CORRETA em relação ao diagnóstico do paciente e ao tratamento inicial a ser administrado:
Volvo de sigmoide → Obstrução intestinal em idoso + abdome distendido/hipertimpânico + descompressão endoscópica inicial.
O volvo de sigmoide é uma causa comum de obstrução intestinal em idosos, frequentemente associado a constipação crônica. A radiografia de abdome tipicamente mostra o sinal do "grão de café". A conduta inicial, na ausência de sinais de peritonite, é a descompressão não operatória, geralmente por colonoscopia.
O volvo de sigmoide é uma torção do cólon sigmoide em torno de seu mesentério, resultando em obstrução intestinal e, potencialmente, isquemia. É uma causa comum de obstrução do intestino grosso, especialmente em idosos e pacientes com história de constipação crônica ou megacólon. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal difusa em cólica, distensão abdominal progressiva e parada de eliminação de fezes e flatus. O reconhecimento precoce é vital para prevenir complicações graves como necrose e perfuração intestinal. A fisiopatologia envolve um cólon sigmoide longo e redundante com um mesentério estreito, que predispõe à torção. O diagnóstico é frequentemente sugerido pela radiografia simples de abdome, que revela o clássico sinal do "grão de café" ou "U invertido" devido à alça sigmoide dilatada. A tomografia computadorizada pode confirmar o diagnóstico e avaliar a presença de complicações. A ausência de sinais de irritação peritoneal é um fator chave para a escolha da conduta inicial. Na ausência de sinais de peritonite ou isquemia, a conduta inicial para o volvo de sigmoide é a descompressão não operatória, geralmente realizada por colonoscopia ou retossigmoidoscopia flexível. Este procedimento visa destorcer a alça e aliviar a obstrução. Após a descompressão bem-sucedida, a cirurgia eletiva (sigmoidectomia) é recomendada para prevenir recorrências, que são comuns. Em casos de peritonite, isquemia ou falha da descompressão, a cirurgia de emergência é indicada.
A radiografia de abdome tipicamente mostra uma grande alça sigmoide dilatada em forma de "grão de café" ou "U invertido", com a ponta apontando para o quadrante superior direito, e ausência de gás no reto.
A descompressão não operatória é contraindicada na presença de sinais de isquemia intestinal, perfuração ou peritonite, que exigem intervenção cirúrgica de emergência.
A colonoscopia é crucial para a descompressão não operatória do volvo, permitindo a detorção da alça sigmoide e aliviando a obstrução, além de possibilitar a avaliação da viabilidade da mucosa.
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