USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 65 anos de idade, foi admitido no Serviço de Emergência com distensão abdominal e dor em cólica há 6 dias. Desde o início do quadro, está sem evacuar e há 2 dias, evoluiu com vômitos. Refere constipação há 3 meses com necessidade de uso de laxativos. Nega perda de peso. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral e desidratado; abdome distendido, ruídos hidroaéreos aumentados, doloroso à palpação profunda e sem sinais de irritação peritoneal; toque retal sem fezes na ampola e sem lesões; sem outras alterações.Exames laboratoriais:Hb: 12,1 g/dLHt: 37%Leucograma: 10.413/mm³PCR: 15 mg/LCreatinina: 1,7 mg/dLUreia: 71 mg/dLA tomografia de abdome pode ser visualizada nas imagens a seguir:Foi indicado tratamento operatório e, diante dos achados, optou-se por realizar ressecção intestinal. Assinale a alternativa que apresenta o segmento intestinal que deve ser ressecado.
Volvo de sigmoide: distensão abdominal + dor em cólica + ausência de evacuação + imagem em 'grão de café' na TC → Ressecção do sigmoide.
O volvo de sigmoide é uma causa comum de obstrução intestinal em idosos, frequentemente associado a constipação crônica. A torção do cólon sigmoide leva à distensão progressiva e, se não tratada, pode causar isquemia e perfuração. A ressecção do segmento torcido é o tratamento definitivo para prevenir recorrências e complicações graves.
O volvo de sigmoide representa uma emergência cirúrgica caracterizada pela torção do cólon sigmoide sobre seu mesentério, levando à obstrução intestinal e, potencialmente, à isquemia. É mais comum em idosos e em pacientes com constipação crônica ou megacólon, como o chagásico. A rápida identificação é crucial devido ao risco de necrose e perfuração intestinal, que aumentam significativamente a morbimortalidade. O diagnóstico baseia-se na tríade clínica de dor abdominal em cólica, distensão abdominal e ausência de eliminação de gases e fezes. Exames de imagem, como a radiografia simples de abdome (sinal do 'grão de café') e, principalmente, a tomografia computadorizada (TC), são fundamentais para confirmar o diagnóstico e avaliar a presença de complicações. A TC pode mostrar o ponto de torção e o grau de dilatação do cólon. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente, corrigir a desidratação e, se não houver sinais de isquemia ou perfuração, tentar a descompressão endoscópica. No entanto, a ressecção cirúrgica do cólon sigmoide (sigmoidectomia) com anastomose primária é o tratamento definitivo e de escolha, especialmente em casos de falha da descompressão, sinais de isquemia ou recorrência, garantindo a resolução da obstrução e prevenindo futuras torções.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal em cólica de início súbito, distensão abdominal progressiva, náuseas, vômitos e ausência de eliminação de flatos e fezes. A história de constipação crônica é um fator de risco importante.
A tomografia de abdome é crucial, revelando a dilatação do cólon sigmoide com um padrão em 'grão de café' ou 'bico de pássaro' no ponto de torção. Ela também pode identificar sinais de isquemia ou perfuração, que indicam maior gravidade.
O tratamento definitivo é a ressecção cirúrgica do segmento de cólon sigmoide torcido (sigmoidectomia), geralmente com anastomose primária. Isso é necessário para resolver a obstrução, prevenir a isquemia e evitar a alta taxa de recorrência associada à descompressão endoscópica isolada.
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