Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2024
Paciente masculino, 57 anos, procura atendimento médico queixando-se de dor e distensão abdominal há 1 dia. Queixa-se de dor abdominal difusa, tipo cólica, iniciada há 1 dia, progressiva, sem melhora com analgésicos e antiespasmódicos, associada a vários episódios de vômitos. Nega trauma. Nega episódios prévios. Nega cirurgias abdominais. Nega perda de peso ou sangramento nas fezes. É portador de cardiomiopatia dilatada, hipertenso e diabético. Eletrocardiograma evidencia taquicardia sinusal, com bloqueio divisional ântero-superior. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, desidratado, taquipneico, anictérico, acianótico, afebril. Estável hemodinamicamente. Abdome com ruídos presentes e aumentados, distendido, doloroso à palpação superficial e profunda, sem sinais de irritação peritoneal. Foi submetido aos exames radiológicos abaixo. Assinale a principal hipótese diagnóstica.
Dor abdominal cólica + distensão + vômitos + ruídos ↑ + ausência cirurgia prévia → suspeitar volvo de sigmoide.
O volvo de sigmoide deve ser fortemente suspeitado em pacientes com dor abdominal tipo cólica, distensão progressiva e vômitos, especialmente na ausência de histórico de cirurgias abdominais prévias que pudessem causar aderências. A presença de ruídos hidroaéreos aumentados e ausência de sinais de irritação peritoneal são achados comuns no abdome agudo obstrutivo.
O volvo de sigmoide é uma causa importante de abdome agudo obstrutivo, caracterizado pela torção do cólon sigmoide sobre seu próprio mesentério. É mais comum em idosos e em pacientes com histórico de constipação crônica ou megacólon. A apresentação clínica típica envolve dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal progressiva, náuseas, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes. A ausência de cirurgias abdominais prévias no histórico do paciente, como mencionado no caso, torna o volvo uma hipótese mais provável em comparação com bridas. O diagnóstico é frequentemente sugerido pela radiografia simples de abdome, que pode revelar o clássico "sinal do grão de café" ou "sinal do omega invertido", indicando uma alça sigmoide massivamente dilatada e em forma de U invertido. A tomografia computadorizada de abdome é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, identificar o ponto de torção (sinal do redemoinho ou "whirl sign") e avaliar a presença de complicações como isquemia ou perfuração. O tratamento inicial envolve a estabilização do paciente e, se não houver sinais de peritonite ou isquemia, a desvolvulação endoscópica com colonoscopia flexível é a primeira linha de tratamento. Em casos de falha da desvolvulação, recorrência ou sinais de complicação, a cirurgia (sigmoidoscopia com ressecção e anastomose primária) é indicada. A cardiomiopatia dilatada e outras comorbidades do paciente aumentam o risco cirúrgico, mas não contraindicam a intervenção necessária.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal progressiva, náuseas e vômitos, e constipação. Em casos avançados, pode haver sinais de isquemia e peritonite.
A radiografia simples de abdome pode mostrar o "sinal do grão de café" ou "omega invertido", que é uma alça sigmoide dilatada e em forma de U invertido. A tomografia computadorizada é mais sensível e específica, mostrando o "sinal do redemoinho" (whirl sign).
A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica, descompressão com sonda nasogástrica e, se não houver sinais de peritonite, tentativa de desvolvulação endoscópica. Em casos de falha da desvolvulação ou sinais de complicação, a cirurgia é indicada.
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