Ventilação Mecânica: Identificação do Modo VCV em Gestantes

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Caso 2 Gestante, 35 anos, encontra-se com 31 semanas de idade gestacional. Refere dispneia súbita e dor torácica; é ventilatório dependente. Nega perda de líquido ou de sangue, dor abdominal e diminuição da movimentação fetal. Apresenta SatO₂ 98% em ar ambiente, FR 24 irpm sem esforço, PA 110x70 mmHg e FC 95 bpm.POCUS pulmonar Padrão A, com deslizamento pleural presente.Abdome: altura uterina de 32 cm, ausência de líquido livre em cavidade, BCF 130 bpm, feto com tônus adequado, presença de movimentos respiratórios e movimentação fetal. ILA 14. A paciente iniciou o tratamento e seguiu internada. Encontrava-se em boa evolução clínica quando, depois de 1 semana, apresentou episódio de piora da dispneia, agora associada à hipotensão, sendo levada à sala de emergência. Dentre as medidas terapêuticas, foram necessárias doses crescentes de noradrenalina e dobutamina parenteral, além de suporte ventilatório invasivo, cuja monitorização está apresentada. Qual é o modo ventilatório programado para esta paciente? \n

Alternativas

  1. A) Ventilação mandatória intermitente sincronizada. 
  2. B) Pressão assisto-controlada.
  3. C) Pressão de suporte. 
  4. D) Volume assisto-controlado. 

Pérola Clínica

VCV = Volume e fluxo fixos → Pressão de via aérea variável conforme complacência/resistência.

Resumo-Chave

No modo Volume Assisto-Controlado (VCV), o volume corrente e o fluxo inspiratório são as variáveis independentes (ajustadas), garantindo um volume minuto estável, o que é crucial em pacientes com instabilidade hemodinâmica e necessidade de controle rigoroso da PaCO2.

Contexto Educacional

A ventilação mecânica na gestante crítica exige compreensão das alterações fisiológicas da gravidez, como a redução da capacidade residual funcional e o aumento do consumo de oxigênio. O modo VCV é frequentemente escolhido em cenários de emergência por garantir a entrega do volume corrente alvo, facilitando o manejo da acidose respiratória. Neste caso clínico, a evolução para choque (necessidade de noradrenalina e dobutamina) após um quadro de dispneia súbita sugere complicações graves como tromboembolismo pulmonar (TEP) maciço ou embolia amniótica. A monitorização ventilatória torna-se ferramenta diagnóstica e terapêutica, onde o reconhecimento dos modos básicos é competência essencial para o residente de medicina intensiva e emergência.

Perguntas Frequentes

Quais as principais características do modo VCV?

No modo Ventilação por Volume Controlado (VCV), o médico determina o volume corrente, a frequência respiratória e o fluxo inspiratório. A principal característica técnica é que o fluxo é a variável de controle, permanecendo constante (geralmente em onda quadrada) ou seguindo um perfil pré-estabelecido, independentemente das mudanças na mecânica pulmonar do paciente. Como consequência, a pressão nas vias aéreas torna-se a variável dependente, oscilando de acordo com a complacência pulmonar e a resistência do sistema respiratório. É um modo que garante o volume minuto, sendo útil para o controle rigoroso da ventilação alveolar.

Por que o VCV é utilizado em pacientes com instabilidade hemodinâmica?

O uso do VCV em pacientes chocados, como no caso da paciente que necessita de doses crescentes de noradrenalina e dobutamina, permite um controle mais preciso do trabalho respiratório e da ventilação minuto. Ao garantir que o volume corrente seja entregue de forma consistente, o clínico pode evitar hipoventilação ou hiperventilação inadvertida, que poderiam exacerbar distúrbios acidobásicos e comprometer ainda mais a função cardiovascular. Além disso, a monitorização da pressão de pico e da pressão de platô no VCV fornece dados imediatos sobre alterações na complacência ou resistência, fundamentais no manejo do choque obstrutivo ou cardiogênico.

Como diferenciar VCV de PCV nas curvas do ventilador?

A diferenciação visual nas curvas de monitorização é baseada na análise das variáveis fixas versus variáveis dependentes. No modo VCV, a curva de fluxo geralmente apresenta um platô (fluxo constante/onda quadrada) e a curva de pressão tem um formato ascendente (rampa) até atingir o pico. Já no modo Pressão Controlada (PCV), a curva de pressão é quadrada (pressão constante durante a inspiração) e a curva de fluxo é decrescente (fluxo livre que diminui à medida que a pressão alveolar se iguala à pressão ajustada). Identificar qual curva mantém um formato constante apesar de variações clínicas é a chave para definir o modo programado.

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