Profilaxias Oportunistas no HIV com CD4 < 100

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Paciente vivendo com HIV até então assintomático, com contagem de linfócitos T CD4 de 98 células/mm³. Além de iniciar o esquema terapêutico antirretroviral, quais medicamentos estão indicados para profilaxias de doenças oportunistas?

Alternativas

  1. A) Fluconazol, sulfametoxazol - trimetropim e aciclovir.
  2. B) Sulfametoxazol- trimetropim apenas.
  3. C) Sulfametoxazol- trimetropim, rifapentina e isoniazida.
  4. D) Isoniazida somente em caso de IGRA positivo ou PPD maior ou igual a 5 mm, e sulfametoxazol trimetropim se sorologia lgG positiva para toxoplasmose.

Pérola Clínica

CD4 < 100 em HIV+ → Profilaxia para Pneumocistose (SMX-TMP) + Tratamento de ILTB (Rifapentina + Isoniazida).

Resumo-Chave

Pacientes com imunossupressão avançada (CD4 < 100) necessitam de profilaxia primária para PJP e Toxoplasmose, além de tratamento para tuberculose latente conforme protocolos atuais.

Contexto Educacional

O manejo do paciente com HIV e contagem de CD4 abaixo de 100 células/mm³ exige vigilância extrema para infecções oportunistas. A Pneumocistose continua sendo uma das principais causas de insuficiência respiratória e óbito nessa população, justificando o uso universal de SMX-TMP. A tuberculose é a principal causa de morte em pessoas vivendo com HIV no mundo. Por isso, a estratégia de 'Tratamento como Prevenção' para ILTB evoluiu para incluir pacientes com imunossupressão grave mesmo sem evidência de teste cutâneo positivo, devido à alta probabilidade de falso-negativos (anergia) e ao risco iminente de reativação ou progressão da doença.

Perguntas Frequentes

Quais doenças o Sulfametoxazol-Trimetoprima previne no HIV?

O SMX-TMP é utilizado como profilaxia primária para a pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PJP) em pacientes com CD4 < 200 células/mm³. Além disso, em pacientes com CD4 < 100 células/mm³ e sorologia IgG positiva para Toxoplasma gondii, ele também atua na prevenção da neurotoxoplasmose. Também confere proteção adicional contra algumas infecções bacterianas respiratórias e isosporíase.

Qual o novo protocolo para profilaxia de Tuberculose no HIV?

As diretrizes atuais (como as do Ministério da Saúde do Brasil) recomendam o tratamento da Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) em pacientes vivendo com HIV com CD4 ≤ 350 células/mm³, independentemente do teste tuberculínico (PPD) ou IGRA, após descartar TB ativa. O esquema preferencial moderno é a combinação de Rifapentina + Isoniazida (esquema 3HP) uma vez por semana por 12 semanas.

Quando suspender as profilaxias oportunistas?

As profilaxias podem ser suspensas quando o paciente apresenta resposta imunológica satisfatória à Terapia Antirretroviral (TARV), geralmente definida como uma contagem de linfócitos T CD4 > 200 células/mm³ por pelo menos 3 a 6 meses, associada à carga viral indetectável.

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