CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Em qual das situações abaixo, a vitrectomia diagnóstica estaria melhor indicada?
Suspeita de Linfoma Intraocular (síndrome de mascarada) → Vitrectomia diagnóstica é mandatória.
A vitrectomia diagnóstica é a ferramenta definitiva para identificar células neoplásicas no vítreo, especialmente em casos de linfoma com envolvimento do SNC.
O linfoma intraocular primário (LIOP) é um linfoma de grandes células B que frequentemente se apresenta como uma uveíte posterior crônica. A vitrectomia diagnóstica não é apenas um procedimento cirúrgico, mas uma biópsia líquida essencial. Em pacientes com lesões retinianas e diagnóstico prévio de linfoma cerebral, a biópsia vítrea confirma a infiltração neoplásica ocular, orientando o tratamento com quimioterapia sistêmica ou intravítrea (metotrexato/rituximabe).
A vitrectomia diagnóstica está indicada quando há uma uveíte atípica, persistente ou que não responde ao tratamento convencional, levantando suspeita de 'síndrome de mascarada' (malignidade como linfoma) ou infecções raras (como endoftalmites crônicas). É particularmente crucial quando há lesões branco-amareladas no polo posterior ou quando o paciente apresenta histórico de linfoma cerebral, pois o olho é frequentemente um sítio de recidiva ou manifestação primária do linfoma do SNC.
A amostra deve ser obtida preferencialmente por vitrectomia via pars plana (em vez de apenas aspiração por agulha) para garantir volume e viabilidade celular. O material deve ser enviado imediatamente ao patologista, sem fixadores agressivos inicialmente, para citologia, imuno-histoquímica (pesquisa de marcadores como CD20) e citometria de fluxo. A análise de citocinas (relação IL-10/IL-6 > 1) e testes moleculares para rearranjo de genes de imunoglobulina (PCR) aumentam a sensibilidade diagnóstica.
Os riscos incluem descolamento de retina, hemorragia vítrea, catarata e endoftalmite iatrogênica. A principal limitação é a baixa celularidade ou a fragilidade das células linfomatosas, que podem sofrer lise rápida, resultando em falsos negativos. Por isso, a técnica cirúrgica deve minimizar o trauma celular (usar baixas taxas de corte e evitar infusão excessiva antes da coleta da amostra 'seca').
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