UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 37a, é avaliada por surgimento de placas brancas nos membros superiores e inferiores, progressivamente maiores nos últimos quatro meses. Nega dor ou prurido associado e não faz uso de medicações. Exame físico: T=36,8ºC; PA=116x82mmHg; FC=76bpm; FR=14irpm. Pele: presença de máculas acrômicas circulares e coalescentes em pernas, antebraços e mãos. Este quadro clínico pode estar associado a outras doenças. O EXAME COMPLEMENTAR INDICADO PARA INVESTIGAR A COMORBIDADE MAIS FREQUENTE NESTE CASO É:
Vitiligo → alta associação com tireoidopatias autoimunes; investigar com TSH.
O vitiligo é uma doença autoimune que frequentemente coexiste com outras condições autoimunes, sendo as tireoidopatias as mais comuns. A investigação com TSH é fundamental para rastrear essa comorbidade e garantir o manejo adequado do paciente.
O vitiligo é uma dermatose crônica caracterizada pela perda de melanócitos funcionais na pele, resultando em máculas despigmentadas. Sua prevalência varia globalmente, afetando cerca de 0,5% a 2% da população. É crucial reconhecer o vitiligo não apenas como uma condição cutânea, mas como um marcador de predisposição a outras doenças autoimunes, o que ressalta a importância de uma abordagem sistêmica no seu manejo. A patogênese do vitiligo envolve uma complexa interação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais. A destruição dos melanócitos é mediada por mecanismos autoimunes, com a presença de autoanticorpos e linfócitos T citotóxicos específicos. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na identificação das lesões acrômicas, mas a investigação de comorbidades é parte integrante da avaliação inicial. Dada a alta associação com tireoidopatias autoimunes, a dosagem do TSH (hormônio tireoestimulante) é o exame complementar de escolha para rastrear essa comorbidade. O tratamento do vitiligo visa a repigmentação das lesões e a estabilização da doença, utilizando terapias tópicas, fototerapia e, em casos selecionados, terapias sistêmicas. No entanto, o acompanhamento das comorbidades é igualmente importante para a saúde geral do paciente e para a prevenção de complicações futuras, garantindo uma abordagem holística e completa.
As principais comorbidades associadas ao vitiligo são doenças autoimunes, com destaque para as tireoidopatias (tireoidite de Hashimoto, doença de Graves), diabetes mellitus tipo 1, anemia perniciosa e doença de Addison.
O TSH é o exame mais indicado porque as tireoidopatias autoimunes são as comorbidades mais frequentes no vitiligo. A dosagem do TSH permite rastrear disfunções tireoidianas, mesmo subclínicas, que podem necessitar de tratamento.
O vitiligo se manifesta clinicamente por máculas acrômicas (manchas brancas) de tamanhos e formas variadas, que podem ser circulares, coalescentes e progressivas. Geralmente são assintomáticas, sem dor ou prurido.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo