UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020
J. L. B., 24 anos, primigesta, com idade gestacional de 34 semanas pela amenorreia referida e pela ultrassonografia de primeiro trimestre, em acompanhamento pré-natal em ambulatório de alto risco por pré-eclâmpsia, com início ao redor de 31 semanas de gestação. Comparece, hoje, ao ambulatório, sem queixas. A exame físico: PA de 140 mmHgx95 mmHg, frequência cardíaca de 85 BPM, altura uterina de 30 cm. Ao toque, colo grosso, posterior, amolecido e impérvio, especular sem alterações. Paciente trouxe resultado de exame ultrassonográfico realizado no dia anterior, que mostra gestação única de 34 semanas, volume de líquido reduzido e peso fetal no percentil 5 para a idade gestacional, compatível com restrição de crescimento fetal. O médico assistente, após essa avaliação, julgou prudente realizar provas de vitalidade fetal. Assinale a alternativa que indica CORRETAMENTE apenas exames de avaliação da vitalidade fetal.
Avaliação vitalidade fetal em RCF/pré-eclâmpsia inclui Cardiotocografia, Doppler umbilical, cerebral média e duto venoso.
A avaliação da vitalidade fetal em gestações de alto risco, como pré-eclâmpsia com restrição de crescimento fetal e oligodramnia, é complexa e envolve múltiplos exames. A cardiotocografia anteparto avalia a reatividade fetal, enquanto os Dopplers das artérias umbilicais, cerebral média e duto venoso fornecem informações cruciais sobre a hemodinâmica fetal e o grau de comprometimento.
A avaliação da vitalidade fetal é um pilar fundamental no manejo de gestações de alto risco, como aquelas complicadas por pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal (RCF). O objetivo é identificar o feto em risco de hipóxia e acidose para intervir antes que ocorram danos irreversíveis ou óbito. A idade gestacional e a gravidade do comprometimento fetal guiam a frequência e a escolha dos exames. Os exames de vitalidade fetal incluem a cardiotocografia anteparto, que avalia a reatividade cardíaca fetal e a presença de desacelerações, e o perfil biofísico fetal, que combina cardiotocografia com ultrassonografia para avaliar movimentos, tônus, respiração e volume de líquido amniótico. No entanto, em casos de RCF e pré-eclâmpsia, o Doppler fetal é crucial. O Doppler das artérias umbilicais monitora a resistência placentária; o Doppler da artéria cerebral média avalia a centralização do fluxo (brain sparing), indicando hipóxia; e o Doppler do duto venoso é um marcador de comprometimento fetal grave e disfunção cardíaca. O Doppler das artérias uterinas, embora importante para rastreamento de pré-eclâmpsia e RCF, não é um exame de vitalidade fetal direta, mas sim de avaliação do risco materno-placentário.
O Doppler da artéria umbilical reflete a resistência vascular placentária. Um aumento da resistência (IR ou IP elevados, diástole zero ou reversa) indica insuficiência placentária e comprometimento fetal, sendo um marcador precoce de sofrimento.
O Doppler da artéria cerebral média avalia o "brain sparing" (centralização), um mecanismo de adaptação fetal onde o fluxo sanguíneo é redistribuído para órgãos vitais como o cérebro, indicando hipoxemia fetal.
O Doppler do duto venoso é um marcador de comprometimento fetal mais avançado, indicando disfunção cardíaca e acidose. Alterações no fluxo do duto venoso são sinais de gravidade e podem preceder alterações na cardiotocografia.
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