São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
As visitas domiciliares são uma prática comum na Medicina de Família e Comunidade. Qual das alternativas abaixo está correta?
Visita domiciliar na MFC: ferramenta essencial para avaliar o contexto biopsicossocial, identificar barreiras ao cuidado e fortalecer o vínculo terapêutico.
A visita domiciliar transcende a avaliação clínica, permitindo ao médico de família e comunidade uma imersão no contexto de vida do paciente. Isso revela determinantes sociais da saúde, dinâmicas familiares e riscos ambientais que são cruciais para um plano de cuidado eficaz e individualizado.
A visita domiciliar (VD) é uma das ferramentas mais potentes da Medicina de Família e Comunidade (MFC) e da Estratégia Saúde da Família (ESF). Ela representa a extensão do cuidado para além dos muros da unidade de saúde, permitindo uma compreensão integral do indivíduo em seu território. A prática da VD materializa o princípio do cuidado centrado na pessoa, reconhecendo que a saúde é influenciada por um complexo de fatores que incluem moradia, saneamento, relações familiares e acesso a recursos. Ao entrar na casa de um paciente, o profissional de saúde tem a oportunidade única de observar diretamente os determinantes sociais da saúde. É possível avaliar as condições de moradia, a segurança do ambiente, a disponibilidade de alimentos, a dinâmica das relações familiares e a existência de uma rede de apoio. Essas informações são frequentemente inacessíveis durante uma consulta no consultório e são vitais para o diagnóstico de situações de vulnerabilidade e para a elaboração de um Projeto Terapêutico Singular (PTS) que seja realista e eficaz. Para o médico residente, aprender a indicar, planejar e executar uma visita domiciliar é uma competência essencial. A VD não se destina apenas a pacientes com dificuldade de locomoção. Ela é indicada em diversas situações, como no acompanhamento de recém-nascidos, puérperas, pacientes em cuidados paliativos, casos de baixa adesão terapêutica, suspeita de violência ou negligência, e para o acompanhamento de doenças crônicas complexas. É uma prática que fortalece o vínculo, aumenta a resolutividade e humaniza o cuidado em saúde.
Os objetivos incluem: avaliação do ambiente físico e social, identificação de riscos, avaliação da dinâmica familiar e da rede de apoio, fortalecimento do vínculo, monitoramento de pacientes crônicos ou acamados e elaboração de um plano de cuidado singular.
Ao conhecer a realidade do paciente, o médico pode identificar barreiras para a adesão (financeiras, cognitivas, falta de apoio familiar) e adaptar o plano terapêutico, tornando-o mais factível e negociado com o paciente e sua família.
A visita pode ser realizada por diferentes membros da equipe, a depender do objetivo. Pode ser feita pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS), técnico de enfermagem, enfermeiro ou médico, e em muitos casos, a visita multiprofissional é a mais indicada.
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