UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2017
Em um dia normal de trabalho, médicos de família e comunidade atendem a muitos casos diferentes. Certa manhã, determinado médico atendeu a quinze pacientes, entre os quais se encontravam os seguintes: (1) uma criança de cinco anos de idade com suspeita de abuso sexual, trazida pela mãe; (2) um idoso de sessenta e seis anos de idade, tabagista, com diabetes melito (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS); (3) uma mulher de vinte e três anos de idade, estudante universitária, que não tomava banho havia uma semana; (4) um bebê de uma semana de vida (5) e sua mãe, puérpera, para consulta normal; (6) um adolescente de dezessete anos de idade, com rolha de cera; (7) uma idosa de setenta e um anos de idade, com diabetes melito (DM) e obesa, com úlcera no membro inferior esquerdo, (8) e sua filha, e cuidadora, de quarenta e nove anos de idade, que não dormia regularmente havia um mês. Considerando esses casos clínicos, julgue o item a seguir. Entre os pacientes citados, há alguns com sinais de alerta, que merecem ser acompanhados mais de perto, até mesmo com uma visita domiciliar: são os pacientes 1, 3 e 8.
Vulnerabilidade social/clínica (abuso, negligência, burnout do cuidador) → Prioridade para visita domiciliar.
A Estratégia Saúde da Família prioriza visitas domiciliares para casos de alta vulnerabilidade, como suspeita de violência, sinais de sofrimento mental grave ou exaustão de cuidadores.
Na Medicina de Família e Comunidade (MFC), a gestão da clínica exige uma estratificação de risco que transcende a biologia das doenças crônicas. O conceito de vulnerabilidade é central: ele engloba aspectos individuais, sociais e programáticos que limitam a capacidade de um indivíduo de cuidar de sua própria saúde. Pacientes em situações de vulnerabilidade extrema, como crianças em risco de abuso (paciente 1), indivíduos com sinais de autonegligência e possível transtorno mental (paciente 3) e cuidadores em estado de exaustão/insônia (paciente 8), representam 'sinais de alerta' críticos. A visita domiciliar (VD) é o instrumento de eleição para esses casos, pois permite observar a infraestrutura do domicílio, a interação entre os membros da família e a presença de fatores de risco ou proteção invisíveis no ambiente ambulatorial. A VD facilita a criação de um Plano Terapêutico Singular (PTS) mais resolutivo e humano, integrando a vigilância em saúde com a proteção social.
Os sinais de alerta incluem suspeita de abuso ou violência (física, sexual ou negligência), sinais de autonegligência grave (como falta de higiene pessoal prolongada), isolamento social, e sinais de exaustão ou sofrimento mental no cuidador principal de pacientes dependentes.
A visita é indicada quando há necessidade de avaliar o contexto real de vida do paciente que não pode ser captado no consultório, especialmente em situações de risco social, dificuldade severa de locomoção, pós-operatórios complexos ou quando há suspeita de que a dinâmica familiar está prejudicando o cuidado à saúde.
A abordagem deve ser multidimensional, utilizando ferramentas como o Índice de Zarit para mensurar a sobrecarga. A equipe deve oferecer suporte psicossocial, orientações de manejo do paciente e articular a rede de apoio (formal e informal) para garantir o descanso do cuidador e prevenir o adoecimento da unidade familiar.
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