CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
Indique quais os tipos de viscoelástico estão representados na figura e suas características:
Coesivo = cria espaço e sai fácil; Dispersivo = protege endotélio e adere às estruturas.
Viscoelásticos coesivos mantêm a câmara anterior e são removidos em bloco; dispersivos revestem o endotélio, protegendo-o do trauma cirúrgico.
Os Dispositivos Oftálmicos Viscoelásticos (OVDs) revolucionaram a cirurgia de catarata moderna. Eles são classificados com base em suas propriedades reológicas: viscosidade, elasticidade e pseudoplasticidade. A escolha do OVD correto depende da etapa da cirurgia e das condições oculares do paciente. Os coesivos são excelentes para criar espaço e manipular tecidos (como desfazer sinéquias ou dilatar pupilas), mas podem ser 'lavados' da câmara anterior se houver muito fluxo. Já os dispersivos permanecem no lugar mesmo sob alto fluxo de irrigação, garantindo que o endotélio permaneça coberto. O domínio dessas propriedades é essencial para prevenir a descompensação corneana pós-operatória, uma das complicações mais temidas da facoemulsificação.
Os viscoelásticos coesivos (como o hialuronato de sódio de alta densidade) possuem alta viscosidade e forte adesão entre suas moléculas. Isso permite que eles mantenham muito bem os espaços (câmara anterior) e estabilizem os tecidos durante a capsulorrexe. Devido à sua coesão, eles tendem a ser removidos rapidamente e 'em bloco' durante a aspiração final, o que reduz o risco de picos pressóricos pós-operatórios por resíduos de material.
Os viscoelásticos dispersivos (como o condroitin sulfato ou hialuronato de baixa densidade) possuem baixa tensão superficial, o que permite que eles se espalhem e 'grudem' no endotélio corneano. Durante a facoemulsificação, essa camada protetora não é facilmente aspirada pela ponta do faco, agindo como um escudo contra o trauma mecânico dos fragmentos de cristalino e a energia ultrassônica, sendo ideais para casos de córneas frágeis ou cataratas duras.
A técnica de 'soft-shell', descrita por Steve Arshinoff, utiliza os dois tipos de viscoelástico simultaneamente. Primeiro, injeta-se um viscoelástico dispersivo para revestir e proteger o endotélio corneano. Em seguida, injeta-se um coesivo abaixo dele para empurrar o dispersivo contra a córnea e aplanar a cápsula anterior do cristalino, criando um espaço de trabalho estável e seguro. Esta técnica combina o melhor dos dois mundos: proteção máxima e excelente manutenção de espaço.
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