CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2010
A análise do comportamento das substâncias viscoelásticas “A” e “B” sobre uma superfície lisa e plana permite concluir que:
Viscoelásticos coesivos (A) mantêm espaços; dispersivos (B) protegem o endotélio.
A substância A é coesiva (como o hialuronato), mantendo-se unida e ocupando espaço, enquanto a B é dispersiva (como a metilcelulose), espalhando-se para proteção celular.
O conhecimento das propriedades reológicas dos viscoelásticos é fundamental para o cirurgião de catarata moderno. A escolha entre um agente coesivo ou dispersivo (ou o uso da técnica de soft-shell combinando ambos) impacta diretamente na segurança endotelial e na eficiência cirúrgica. Esta questão aborda a física básica dessas substâncias, onde a capacidade de 'empilhamento' ou manutenção de forma sobre uma superfície plana define a coesividade. Na prática clínica, substâncias com maior peso molecular e cadeias mais longas tendem a ser mais coesivas. A metilcelulose, citada na alternativa D, é um exemplo clássico de agente dispersivo, invalidando a opção. O gabarito foca na interpretação física: a substância que se mantém mais íntegra e 'alta' (A) possui maior força de coesão interna do que a que se espalha (B).
Os viscoelásticos coesivos possuem cadeias moleculares longas e alta tensão superficial, o que os faz agir como uma massa única, ideal para manter espaços e aprofundar a câmara anterior. Já os dispersivos possuem cadeias curtas e baixa tensão superficial, permitindo que se espalhem e cubram o endotélio corneano, oferecendo proteção superior contra o trauma da facoemulsificação, embora sejam mais difíceis de aspirar completamente ao final da cirurgia.
O hialuronato de sódio de alto peso molecular apresenta alta viscosidade sob baixas taxas de cisalhamento e forte adesão entre suas moléculas. Isso permite que ele mantenha a integridade da câmara anterior durante a capsulorrexe. Sua natureza coesiva facilita a remoção em bloco durante a aspiração, reduzindo o risco de picos pressóricos pós-operatórios por retenção de material no ângulo iridocorneano.
Eles são indicados principalmente quando a proteção endotelial é prioritária, como em cataratas duras que exigem alta energia de ultrassom ou em pacientes com contagem de células endoteliais reduzida (ex: Córnea Guttata). Devido à sua baixa coesividade, eles não são aspirados facilmente pelo fluxo do facoemulsificador, permanecendo aderidos ao endotélio durante a maior parte do procedimento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo