CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Em relação aos viscoelásticos dispersivos, assinale a alternativa correta:
Viscoelásticos dispersivos = baixo peso molecular + baixa viscosidade → melhor proteção endotelial.
Dispositivos viscoelásticos dispersivos possuem baixa viscosidade e baixa coesão, permitindo que cubram e protejam o endotélio corneano durante a facoemulsificação.
Os dispositivos viscoelásticos oftálmicos (OVDs) revolucionaram a cirurgia de segmento anterior. Os dispersivos, caracterizados por baixo peso molecular e baixa viscosidade, agem como um 'escudo' protetor. Sua baixa tensão superficial permite que eles permaneçam aderidos ao endotélio mesmo durante a irrigação e aspiração. O conhecimento de suas propriedades físicas é essencial para o cirurgião escolher o material adequado para cada etapa da cirurgia, minimizando complicações como o edema de córnea pós-operatório.
A principal diferença reside na coesão molecular. Os viscoelásticos coesivos possuem cadeias moleculares longas e alto peso molecular, tendendo a se manter unidos como uma massa única, o que é ideal para criar espaço e estabilizar a câmara anterior. Já os dispersivos possuem cadeias curtas, baixo peso molecular e baixa viscosidade. Eles se espalham mais facilmente e aderem às estruturas oculares, como o endotélio corneano, oferecendo uma camada protetora superior contra o trauma mecânico e a energia ultrassônica durante a facoemulsificação, permanecendo no lugar mesmo sob fluxo de irrigação.
A viscosidade está diretamente relacionada ao comprimento das cadeias poliméricas e à concentração do agente (geralmente hialuronato de sódio ou condroitin sulfato). Nos agentes dispersivos, as moléculas são menores e menos entrelaçadas, resultando em uma resistência menor ao fluxo (baixa viscosidade). Essa característica permite que o material se fragmente em pequenas bolhas ou camadas, o que facilita o revestimento de tecidos delicados, mas torna sua remoção completa da câmara anterior mais demorada e trabalhosa em comparação aos agentes coesivos.
O uso é indicado principalmente em cirurgias de catarata com risco aumentado de dano endotelial, como em casos de córnea gutata, contagens endoteliais baixas ou cataratas muito densas que exigem alta energia de ultrassom. Eles também são úteis para tamponar pequenas rupturas de cápsula posterior ou para manter a estabilidade em casos de zonuloplastia. Muitos cirurgiões utilizam a 'técnica de soft-shell', onde um viscoelástico dispersivo é colocado contra a córnea para proteção e um coesivo é injetado abaixo dele para manter o espaço cirúrgico.
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