CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Os viscoelásticos dispersivos apresentam:
Viscoelástico Dispersivo = Baixa viscosidade + Baixa coesão → Protege melhor o endotélio.
Dispersivos possuem baixa coesão, o que permite que 'forrem' o endotélio e permaneçam no lugar durante a facoemulsificação, protegendo contra traumas mecânicos e térmicos.
Na cirurgia moderna de catarata, a técnica de 'soft-shell' utiliza ambos os tipos de viscoelásticos: o dispersivo para proteger o endotélio e o coesivo para achatar a cápsula anterior e manter a câmara anterior. Compreender a reologia dos OVDs (Ophthalmic Viscosurgical Devices) é crucial para o cirurgião. O viscoelástico dispersivo (como o condroitin sulfato) atua como um escudo, enquanto o coesivo (como o hialuronato de sódio de alto peso molecular) atua como uma ferramenta de manipulação de espaço. O equilíbrio entre proteção e facilidade de remoção define a escolha do material para cada etapa cirúrgica.
Os viscoelásticos coesivos possuem alta viscosidade e alta coesão (moléculas de cadeia longa que se mantêm unidas), sendo excelentes para criar e manter espaços e para realizar a capsulorrexe. Já os viscoelásticos dispersivos possuem baixa viscosidade e baixa coesão (cadeias curtas), o que os torna ideais para recobrir e proteger o endotélio corneano. Devido à baixa coesão, os dispersivos não são aspirados em bloco pelo fluxo da facoemulsificação, permanecendo como uma camada protetora durante a cirurgia.
Essas propriedades derivam do menor peso molecular e da menor concentração de suas cadeias poliméricas. A baixa coesão significa que as moléculas não 'grudam' umas nas outras, permitindo que o material se disperse e adira às superfícies teciduais. A baixa viscosidade facilita a sua aplicação em camadas finas. Essa combinação é o que permite a proteção superior do endotélio contra fragmentos de cristalino e energia de ultrassom durante a cirurgia de catarata.
A permanência de qualquer dispositivo viscoelástico oftálmico (OVD) no olho após a cirurgia pode levar a um aumento súbito e significativo da pressão intraocular (PIO) no pós-operatório imediato, devido à obstrução da malha trabecular. Como os dispersivos têm baixa coesão, eles tendem a se fragmentar durante a aspiração, tornando sua remoção completa mais desafiadora e demorada do que a dos viscoelásticos coesivos.
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