CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Ao compararmos o uso de substâncias viscoelásticas dispersivas e coesivas na cirurgia de catarata, as substâncias coesivas:
Coesivos = mantêm espaço e saem em bloco; Dispersivos = revestem e protegem melhor o endotélio.
Substâncias coesivas têm alta viscosidade e coesão, sendo ideais para criar espaço, mas oferecem menor proteção endotelial por serem facilmente removidas durante a irrigação.
O uso de substâncias viscoelásticas (OVDs) revolucionou a cirurgia de catarata moderna. A escolha entre agentes coesivos e dispersivos baseia-se em suas propriedades reológicas. Os coesivos (ex: Healon) são excelentes para manobras de preenchimento, enquanto os dispersivos (ex: Viscoat) são superiores para proteção celular. Na técnica de 'soft-shell', o cirurgião utiliza ambos: o dispersivo para proteger o endotélio e o coesivo para empurrar o dispersivo contra a córnea e manter a câmara anterior. Clinicamente, a proteção endotelial é crítica em pacientes com baixa contagem celular prévia (córnea guttata ou distrofia de Fuchs). O conhecimento das propriedades físicas dessas substâncias permite ao residente otimizar a segurança do procedimento, minimizando o edema de córnea pós-operatório e garantindo uma recuperação visual mais rápida para o paciente.
Os viscoelásticos dispersivos possuem baixa tensão superficial e baixa coesão, o que permite que eles 'grudem' e revistam o endotélio corneano e outras estruturas intraoculares. Diferente dos coesivos, eles não são aspirados em bloco durante a facoemulsificação, permanecendo no olho por mais tempo para oferecer uma proteção física contínua contra fragmentos de cristalino e energia de ultrassom.
As substâncias coesivas, como o hialuronato de sódio de alta concentração, possuem cadeias moleculares longas que se mantêm unidas. Durante a cirurgia, assim que a ponta do facoemulsificador começa a aspirar, a substância tende a sair inteira (em bloco). Isso deixa o endotélio exposto precocemente durante o procedimento, resultando em menor proteção comparada aos agentes dispersivos que permanecem 'espalhados'.
Eles são preferidos em etapas que exigem manutenção de espaço e estabilização de tecidos, como na realização da capsulorrexe, na distensão do saco capsular para implante da lente intraocular (LIO) e para aprofundar a câmara anterior. Sua remoção ao final da cirurgia é mais rápida e completa, o que ajuda a prevenir picos de pressão intraocular no pós-operatório imediato.
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