Visão Crítica de Segurança na Colecistectomia Laparoscópica

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2023

Enunciado

Após o advento da cirurgia videolaparoscópica, cujo acesso é realizado por pequenas incisões ocasionando menos dor e hospitalização mais curta, os cirurgiões têm realizado um número crescente de colecistectomias laparoscópicas. Muitas colecistectomias são realizadas por cólica biliar, mas a cirurgia pode ser executada de forma segura em um quadro de inflamação aguda. A colecistite aguda propicia um tempo operatório mais longo e uma taxa de conversão maior para um procedimento aberto do que quando a colecistectomia é realizada de forma eletiva. Com o intuito de diminuir a chance de lesão iatrogênica durante a colecistectomia videolaparoscópica é de fundamental importância uma correta dissecção para uma visão crítica de segurança. Dentre as alternativas abaixo, qual a que melhor descreve o melhor resultado de dissecção para aquisição de uma visão crítica de segurança mais adequada durante a colecistectomia videolaparoscópica? 

Alternativas

  1. A) Dissecção do Triângulo de Calot acima do nível do sulco de Rouviere com identificação e visibilização do ducto colédoco, ducto hepático direito e artéria cística, assim como visibilização do leito hepático da vesícula biliar.
  2. B) Dissecção do Triângulo hepatocístico acima do nível do sulco de Rouviere com identificação do ducto colédoco, ducto hepático direito, artéria hepática direita e com visibilização do leito hepático da vesícula biliar.
  3. C) Dissecção do Triângulo de Calot acima do nível do sulco de Rouviere com identificação e visibilização do ducto colédoco, ducto hepático esquerdo e artéria cística, com visibilização do leito hepático da vesícula biliar.
  4. D) Dissecção do Triângulo hepatocístico acima do nível do sulco de Rouviere, obtendo a visão do leito hepático do segmento II através do espaço entre o ducto cístico, artéria cística e acima desta, já dissecados.
  5. E) Dissecção do Triângulo de Calot acima do nível do sulco de Rouviere, obtendo a visão do leito hepático do seguimento V através do espaço entre o ducto cístico, artéria cística e acima desta, já dissecados.

Pérola Clínica

Visão Crítica de Segurança na colecistectomia = 3 critérios: 2 estruturas tubulares entrando na vesícula + leito hepático exposto.

Resumo-Chave

A Visão Crítica de Segurança (VCS) é uma técnica padronizada para prevenir lesões iatrogênicas da via biliar durante a colecistectomia laparoscópica. Ela exige a dissecção completa do triângulo hepatocístico para identificar claramente o ducto cístico e a artéria cística, e a exposição do leito hepático da vesícula biliar, garantindo que nenhuma outra estrutura seja confundida com a via biliar principal.

Contexto Educacional

A colecistectomia videolaparoscópica é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns, mas não está isenta de riscos, sendo a lesão iatrogênica da via biliar uma complicação devastadora. Para mitigar esse risco, a 'Visão Crítica de Segurança' (VCS), proposta por Strasberg, tornou-se o padrão ouro na dissecção do triângulo hepatocístico. Esta técnica padronizada visa garantir a identificação inequívoca das estruturas antes da clipagem e secção. A VCS envolve três critérios essenciais: primeiro, a dissecção deve expor o ducto cístico e a artéria cística como as únicas duas estruturas tubulares que entram na vesícula biliar; segundo, a parte inferior da vesícula biliar deve ser dissecada do leito hepático, expondo o segmento V do fígado; e terceiro, o triângulo de Calot deve ser completamente limpo de gordura e tecido fibroso. A dissecção acima do sulco de Rouviere é um marco anatômico útil para evitar a via biliar principal. A obtenção da VCS é fundamental para a segurança do paciente e para a formação de cirurgiões residentes. Ela exige paciência, conhecimento anatômico e técnica apurada, sendo preferível converter para um procedimento aberto ou realizar uma colecistostomia em casos de dificuldade em atingir a VCS, a fim de evitar lesões graves. Dominar essa técnica é um pilar da cirurgia biliar segura.

Perguntas Frequentes

Quais são os três critérios da Visão Crítica de Segurança na colecistectomia?

Os três critérios são: 1) o ducto cístico e a artéria cística são as únicas duas estruturas entrando na vesícula biliar; 2) a parte inferior da vesícula biliar é dissecada do leito hepático, expondo o segmento V do fígado; 3) o triângulo de Calot é completamente limpo de gordura e tecido fibroso.

Por que a Visão Crítica de Segurança é tão importante na cirurgia biliar?

A VCS é crucial para reduzir drasticamente o risco de lesões iatrogênicas da via biliar principal, uma complicação grave da colecistectomia laparoscópica, ao garantir a identificação inequívoca das estruturas anatômicas.

O que é o sulco de Rouviere e qual sua relevância na colecistectomia?

O sulco de Rouviere é uma fissura inconstante no fígado, localizada inferiormente ao hilo hepático. Ele serve como um marco anatômico importante, pois a dissecção acima dele ajuda a evitar lesões do ducto biliar principal, que geralmente se encontra abaixo ou no nível do sulco.

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