SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Lesão de via biliar é a complicação mais comum, mais grave e problemática associada à cirurgia de colecistectomia. Strasberg e colaboradores propuseram a estratégia técnica de obter a visão crítica de segurança com vistas a evitar as lesões iatrogênicas da via biliar durante a cirurgia de colecistectomia (Courtney et al., 2022). Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta os três preceitos fundamentais da visão crítica de segurança:
Visão Crítica = Triângulo de Calot limpo + Base da vesícula descolada + Apenas 2 estruturas entrando na vesícula.
A Visão Crítica de Segurança é uma estratégia de identificação anatômica que minimiza o risco de lesão da via biliar principal durante a colecistectomia.
A lesão iatrogênica da via biliar é uma complicação devastadora da colecistectomia laparoscópica, associada a alta morbidade e custos legais. A introdução da 'Visão Crítica de Segurança' por Strasberg em 1995 mudou o paradigma da cirurgia biliar, focando na identificação conclusiva das estruturas antes de qualquer clipagem ou secção. A técnica exige que o cirurgião não apenas identifique o ducto e a artéria, mas que demonstre que o triângulo de Calot está vazio e que a base da vesícula está livre do fígado, expondo a placa cística. Essa 'cultura de segurança' é recomendada por sociedades mundiais de cirurgia e deve ser documentada por fotos ou vídeos durante o procedimento para garantir que os padrões de segurança foram atingidos.
Os três critérios definidos por Strasberg são: 1. O triângulo de Calot (espaço entre o ducto cístico, ducto hepático comum e borda inferior do fígado) deve estar completamente limpo de tecido adiposo e fibroso. 2. A porção inferior da vesícula biliar deve ser descolada do leito hepático (placa cística). 3. Apenas duas estruturas (ducto cístico e artéria cística) devem ser vistas entrando na vesícula biliar.
A técnica do infundíbulo baseia-se na aparência de que o ducto cístico é a continuação da vesícula. No entanto, em casos de inflamação intensa, o ducto hepático comum pode ser tracionado e parecer o cístico. A Visão Crítica exige a limpeza total do espaço e a visualização da placa cística, o que impede que a via biliar principal seja confundida com o ducto cístico.
Se a inflamação ou fibrose impedirem a obtenção segura da visão crítica de segurança, o cirurgião deve considerar estratégias de resgate para evitar lesões, como a colecistectomia subtotal, a realização de colangiografia intraoperatória ou a conversão para cirurgia aberta.
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