Vírus Zika: Infectividade, Patogenicidade e Virulência

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021

Enunciado

No início do ano de 2015, observou-se a emergência de um agente infeccioso até então não descrito nas Américas, o vírus Zika. A maioria das infecções é assintomática. Os quadros sintomáticos caracterizam-se pela presença de exantema morbiliforme e hiperemia de conjuntivas, de curta duração, e frequentemente sem febre. Um estudo realizado em Salvador (BA) estimou que 70% da população foi infectada na primeira onda epidêmica. Cerca de um ano após a emergência, descreveu-se no país o quadro da síndrome congênita pelo vírus Zika, resultante da transmissão vertical. A síndrome congênita caracteriza-se pelo intenso comprometimento da neurogênese, resultando em microcefalia, hidrocefalia, hipoplasia do cerebelo, dilatação ventricular, comprometimento oto-oftalmológico e artrogripose. As propriedades de infectividade, patogenicidade e virulência do vírus Zika podem ser classificadas respectivamente como:

Alternativas

  1. A) Baixa, baixa, alta.
  2. B) Alta, baixa, baixa.
  3. C) Baixa, alta, baixa.
  4. D) Alta, alta, alta.
  5. E) Alta, baixa, alta. 

Pérola Clínica

Zika: Alta infectividade (70% população), Baixa patogenicidade (maioria assintomática), Alta virulência (síndrome congênita grave).

Resumo-Chave

A infectividade do vírus Zika é alta, evidenciada pela grande proporção da população infectada. A patogenicidade é baixa, pois a maioria das infecções é assintomática. No entanto, a virulência é alta, pois quando a doença se manifesta, especialmente na forma congênita, causa danos graves e irreversíveis como a microcefalia e outras malformações neurológicas.

Contexto Educacional

O vírus Zika emergiu como uma preocupação global de saúde pública no início de 2015, especialmente devido à sua associação com a síndrome congênita. Compreender suas propriedades de infectividade, patogenicidade e virulência é fundamental para a saúde coletiva e para o manejo clínico. A infectividade refere-se à capacidade de um agente infeccioso de invadir e se multiplicar em um hospedeiro, a patogenicidade é a capacidade de causar doença no hospedeiro infectado, e a virulência é o grau de patogenicidade, ou seja, a gravidade da doença causada. No caso do vírus Zika, a alta infectividade foi demonstrada pela rápida e ampla disseminação nas Américas, com estudos estimando que uma grande parcela da população foi infectada. Contudo, a patogenicidade é considerada baixa, pois a maioria das infecções em adultos é assintomática ou causa sintomas leves e autolimitados, como exantema e conjuntivite, sem febre significativa. Isso significa que, embora muitas pessoas sejam infectadas, poucas desenvolvem a doença sintomática. Por outro lado, a virulência do vírus Zika é alta, especialmente quando ocorre a transmissão vertical para o feto. A síndrome congênita pelo vírus Zika é caracterizada por um intenso comprometimento da neurogênese, resultando em malformações graves como microcefalia, hidrocefalia, hipoplasia cerebelar, dilatação ventricular, e comprometimentos oto-oftalmológicos e artrogripose. A gravidade dessas manifestações neurológicas e sistêmicas no feto e no recém-nascido justifica a classificação de alta virulência, apesar da baixa patogenicidade em adultos.

Perguntas Frequentes

O que significa a alta infectividade do vírus Zika?

A alta infectividade do vírus Zika significa que uma grande proporção de indivíduos expostos ao vírus é capaz de ser infectada. No contexto da questão, a estimativa de 70% da população infectada em Salvador durante a primeira onda epidêmica demonstra essa alta capacidade de infecção.

Por que a patogenicidade do vírus Zika é considerada baixa?

A patogenicidade é considerada baixa porque a maioria das infecções pelo vírus Zika é assintomática. Isso significa que, mesmo após a infecção, muitos indivíduos não desenvolvem sintomas da doença, ou apresentam quadros leves e autolimitados.

Qual a relação entre a virulência do Zika e a síndrome congênita?

A virulência do vírus Zika é alta devido à gravidade das manifestações clínicas que pode causar, especialmente a síndrome congênita. Quando a infecção ocorre durante a gestação, o vírus tem a capacidade de provocar intenso comprometimento da neurogênese fetal, resultando em microcefalia, hidrocefalia e outras malformações graves, o que caracteriza uma alta virulência.

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