HCV: Estrutura Genômica e Replicação Viral

São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2023

Enunciado

O HCV é um vírus cujo genoma é constituído por uma única molécula de RNA de polaridade positiva, que possui, aproximadamente, 9.600 bases.

Alternativas

  1. A) O genoma viral é traduzido via IRES para produzir uma poliproteína, que é clivada durante e após a tradução por proteases celulares e virais em dez produtos gênicos. A região amino-terminal não codifica as proteínas estruturais, que são aquelas incorporadas na partícula viral: a proteína do capsídeo e as glicoproteínas de envelope (E1 e E2).
  2. B) O genoma viral é traduzido via IRES para produzir uma poliproteína, que é clivada durante e após a tradução por proteases celulares e virais em dez produtos gênicos. A região amino-terminal codifica as proteínas estruturais, que são aquelas incorporadas na partícula viral: a proteína do capsídeo e as glicoproteínas de envelope (E1 e E2).
  3. C) O genoma viral é traduzido via IRES para produzir uma poliproteína, que é clivada durante e após a tradução por proteases celulares e virais em dez produtos gênicos. A região amino-terminal codifica as proteínas estruturais, que são aquelas nunca incorporadas na partícula viral: a proteína do capsídeo e as glicoproteínas de envelope (E1 e E2).
  4. D) O genoma viral é traduzido via IRES para produzir uma poliproteína, que é clivada durante e não após a tradução por proteases celulares e virais em dez produtos gênicos. A região amino-terminal codifica as proteínas estruturais, que são aquelas incorporadas na partícula viral: a proteína do capsídeo e as glicoproteínas de envelope (E1 e E2).

Pérola Clínica

Genoma HCV RNA+ → traduzido via IRES em poliproteína → clivada por proteases em proteínas estruturais (capsídeo, E1, E2) e não estruturais.

Resumo-Chave

O HCV, um vírus RNA de fita simples e polaridade positiva, utiliza um mecanismo de tradução via IRES para produzir uma única poliproteína. Esta poliproteína é então clivada por proteases virais e celulares para gerar as proteínas funcionais do vírus, incluindo as estruturais (capsídeo e glicoproteínas E1/E2) e as não estruturais.

Contexto Educacional

O Vírus da Hepatite C (HCV) é um patógeno de RNA de fita simples, polaridade positiva, pertencente à família Flaviviridae. Seu genoma de aproximadamente 9.600 bases é crucial para a compreensão de sua biologia e para o desenvolvimento de terapias antivirais diretas. A infecção crônica pelo HCV pode levar a cirrose, carcinoma hepatocelular e outras manifestações extra-hepáticas, tornando o estudo de sua replicação de suma importância. A replicação do HCV é complexa e envolve a tradução do genoma viral diretamente em uma única poliproteína longa. Este processo é iniciado por um Internal Ribosome Entry Site (IRES) na região 5' não traduzida do RNA viral, que permite a ligação direta do ribossomo. A poliproteína resultante é então clivada co- e pós-traducionalmente por proteases virais (principalmente a protease NS3/4A) e algumas proteases celulares. Essa clivagem gera cerca de dez produtos gênicos, que são divididos em proteínas estruturais e não estruturais. As proteínas estruturais (Core, E1 e E2) são codificadas na região amino-terminal da poliproteína e são incorporadas na partícula viral. As proteínas não estruturais (NS2, NS3, NS4A, NS4B, NS5A, NS5B), localizadas na região carboxi-terminal, desempenham papéis críticos na replicação do RNA viral, montagem e liberação do vírion. O conhecimento detalhado dessas proteínas e seus mecanismos de ação foi fundamental para o desenvolvimento dos antivirais de ação direta (DAAs) que revolucionaram o tratamento da hepatite C.

Perguntas Frequentes

Qual a função do IRES na replicação do HCV?

O IRES (Internal Ribosome Entry Site) é uma sequência de RNA localizada na região 5' não traduzida do genoma do HCV. Ele permite que o ribossomo se ligue diretamente ao RNA viral e inicie a tradução da poliproteína, independentemente da cap-dependência, o que é crucial para a replicação viral.

Quais são as proteínas estruturais do HCV e suas funções?

As proteínas estruturais do HCV são a proteína do capsídeo (Core) e as glicoproteínas de envelope E1 e E2. O Core forma o capsídeo viral que envolve o genoma, enquanto E1 e E2 são responsáveis pela ligação do vírus às células hospedeiras e pela entrada viral.

Como a poliproteína do HCV é processada para formar as proteínas funcionais?

A poliproteína do HCV é clivada por proteases virais (NS2/3 e NS3/4A) e, em menor grau, por proteases celulares. Essa clivagem gera dez produtos gênicos distintos, incluindo as proteínas estruturais (Core, E1, E2) e as proteínas não estruturais (NS2, NS3, NS4A, NS4B, NS5A, NS5B), que são essenciais para a replicação e montagem viral.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo