FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Um homem de 45 anos é encaminhado ao ambulatório do cirurgião após investigação por diarreia crônica e perda ponderal de 10kg em 6 meses. Ele também refere episódios intermitentes de rubor facial e sensação de calor. Exame físico sem alterações. Exames laboratoriais mostram hipocalemia e acidose metabólica hiperclorêmica. A tomografia computadorizada revela massa sólida hipervascular de 2 cm no corpo do pâncreas. Não há evidências de metástases à distância. Com base no quadro clínico e nos achados complementares, qual diagnóstico é mais provável e qual deve ser o plano terapêutico?
VIPoma → Diarreia aquosa volumosa + Hipocalemia + Acidose metabólica (Síndrome WDHA).
O VIPoma causa a síndrome de Verner-Morrison, caracterizada por diarreia secretora profusa que persiste ao jejum, levando a distúrbios hidroeletrolíticos graves que exigem correção antes da cirurgia.
O VIPoma é um tumor neuroendócrino raro, com incidência de 1 em 10 milhões de pessoas por ano. Cerca de 75% localizam-se na cauda do pâncreas e 60-80% já apresentam metástases ao diagnóstico. A síndrome clínica é mediada pela ativação da adenilato ciclase intestinal pelo VIP, resultando em secreção maciça de potássio e bicarbonato, o que explica a hipocalemia e a acidose metabólica hiperclorêmica observadas.
A diarreia do VIPoma é do tipo secretora, caracterizada por volumes elevados (geralmente > 3 litros/dia), aspecto de 'água de arroz' e persistência mesmo durante o jejum. Ela ocorre porque o excesso de VIP estimula a secreção de água e eletrólitos (especialmente potássio) no lúmen intestinal e inibe a absorção de sódio.
O diagnóstico é sugerido pela tríade clínica de diarreia aquosa, hipocalemia e acloridria (ou hipocloridria). A confirmação é feita pela dosagem de níveis séricos elevados de Peptídeo Intestinal Vasoativo (VIP), geralmente acima de 200 pg/mL, associada à identificação de massa pancreática em exames de imagem.
A prioridade absoluta é a estabilização clínica com reposição agressiva de fluidos e correção dos distúrbios eletrolíticos (hipocalemia e acidose). O uso de análogos da somatostatina (como octreotide) é fundamental para controlar a secreção de VIP e reduzir a diarreia antes da ressecção cirúrgica definitiva.
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