FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
Durante acolhimento, o médico de Unidade Básica de Saúde foi solicitado por equipe a falar para os pacientes sobre a prevenção e atuação sobre a violência sexual ao longo do desenvolvimento infantil. Sobre esse tema, qual a alternativa errada?
Diagnóstico de violência sexual infantil é complexo; ausência de lesões físicas NÃO exclui abuso.
A violência sexual infantil é um tema delicado e complexo, e o diagnóstico frequentemente não se baseia na presença de lesões físicas evidentes. A ausência de materialidade do delito (lesão genital) é comum, tornando o diagnóstico dependente de uma avaliação cuidadosa que inclui histórico, comportamento da criança e sinais indiretos. A alternativa E está incorreta porque sugere uma facilidade no diagnóstico devido à presença frequente de lesões, o que não corresponde à realidade clínica.
A violência sexual infantil representa uma grave violação dos direitos humanos e da saúde da criança, com impactos devastadores e duradouros em seu desenvolvimento físico, emocional e social. É um tema de extrema relevância para profissionais de saúde, especialmente aqueles que atuam na atenção primária, pois são frequentemente os primeiros a ter contato com as vítimas e suas famílias. A prevenção e o acolhimento adequado são pilares fundamentais. O diagnóstico da violência sexual em crianças e adolescentes é notoriamente desafiador. Ao contrário do que se possa imaginar, a presença de lesões genitais ou outras marcas físicas não é a regra; muitos casos ocorrem sem evidências físicas diretas, tornando a investigação dependente de uma anamnese detalhada, observação comportamental e, quando indicado, exames complementares específicos. A ausência de lesões não deve, portanto, ser interpretada como ausência de abuso. É crucial que os profissionais de saúde estejam capacitados para identificar sinais indiretos, acolher a criança e a família, e realizar o encaminhamento adequado para a rede de proteção. A educação sobre sexualidade e limites corporais, adaptada à faixa etária, é uma ferramenta preventiva poderosa. A compreensão de que os perpetradores são frequentemente pessoas do círculo de confiança da criança reforça a necessidade de uma abordagem sensível e não julgadora.
Sinais incluem mudanças comportamentais (ansiedade, agressividade), regressão no desenvolvimento, queixas somáticas inespecíficas, medo de pessoas específicas, ou conhecimento sexual inadequado para a idade.
É fundamental usar linguagem apropriada para a idade, ensinando sobre o corpo, toques bons e ruins, e a importância de comunicar qualquer toque que os faça sentir desconfortáveis, empoderando a criança a dizer 'não'.
Os principais perpetradores são pessoas próximas à criança, como familiares (pais, padrastos, tios, avós) ou pessoas de confiança, o que dificulta a denúncia e o reconhecimento do abuso.
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