Violência Sexual: Conduta Imediata e Profilaxia Essencial

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Adolescente comparece ao pronto-socorro ginecológico, no domingo pela manhã, 30 horas após ter sido vítima de violência sexual, com consumação da relação sem uso de preservativo. Nesse caso, a conduta a ser tomada é

Alternativas

  1. A) administrar, imediatamente, o levonorgestrel 0,75 mg (em dose única), a profilaxia para sífilis e HIV, além de colher sangue e material para análise do conteúdo vaginal.
  2. B) prescrever o levonorgestrel 1,5 mg e realizar coleta de sangue para exames sorológicos, tratando de acordo com o resultado desses exames.
  3. C) proceder à coleta de material no sangue bem como do conteúdo vaginal e, depois, administrar a profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis.
  4. D) administrar, imediatamente, o levonorgestrel 1,5 mg bem como prescrever profilaxia para sífilis, clamídia, gonorreia, hepatite B e HIV.

Pérola Clínica

Violência sexual < 72h → Contracepção emergência (Levonorgestrel 1,5mg DU) + PEP HIV + Profilaxia ISTs (Sífilis, Gonorreia, Clamídia, Hepatite B).

Resumo-Chave

Após violência sexual, a conduta deve ser imediata e abrangente, incluindo contracepção de emergência (Levonorgestrel 1,5 mg em dose única) e profilaxia para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como HIV (PEP), sífilis, gonorreia, clamídia e hepatite B. A janela de 72 horas é crítica para a eficácia da maioria dessas intervenções.

Contexto Educacional

O atendimento à vítima de violência sexual é uma emergência médica e psicossocial que exige uma abordagem multidisciplinar e humanizada. A prioridade é garantir a segurança da vítima, oferecer apoio emocional e realizar as intervenções médicas necessárias para prevenir gravidez e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A janela de tempo para a eficácia de algumas profilaxias é crítica, tornando a agilidade na conduta fundamental. A fisiopatologia da transmissão de ISTs e da gravidez é bem conhecida, e as intervenções profiláticas visam interromper esses processos. A contracepção de emergência atua inibindo ou atrasando a ovulação. A PEP para HIV impede a replicação viral inicial. A profilaxia para outras ISTs visa eliminar patógenos antes que causem infecção estabelecida. O tratamento deve ser completo e incluir a coleta de evidências forenses, se aplicável e consentido pela vítima, além do encaminhamento para acompanhamento psicológico e social. O prognóstico da vítima de violência sexual vai além da saúde física, abrangendo o bem-estar mental e social a longo prazo, sendo essencial um suporte contínuo e integrado.

Perguntas Frequentes

Qual o prazo máximo para iniciar a contracepção de emergência após violência sexual?

A contracepção de emergência com levonorgestrel é mais eficaz quanto antes for administrada, mas pode ser utilizada até 72 horas (e em alguns casos até 120 horas) após a relação sexual desprotegida.

Por que a profilaxia para ISTs e HIV deve ser iniciada imediatamente, sem esperar resultados de exames?

A profilaxia deve ser imediata porque a janela de tempo para sua máxima eficácia é limitada, especialmente para a PEP contra o HIV (idealmente até 72 horas). Esperar resultados de sorologias comprometeria a prevenção.

Quais ISTs devem ser profilaticamente tratadas após violência sexual?

As ISTs que requerem profilaxia incluem HIV (com PEP), sífilis (com penicilina benzatina), gonorreia e clamídia (com ceftriaxona e azitromicina/doxiciclina), e hepatite B (com vacina e/ou imunoglobulina, conforme o status vacinal).

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