UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente feminina, de 23 anos, veio à Emergência na manhã de hoje em busca de orientação considerando o ocorrido há 2 dias. Relatou ter ido a uma festa com amigas, mas não recordava o que havia acontecido, a não ser que acordara, na manhã seguinte, sem roupas ao lado de um homem desconhecido. Assustada, foi embora para casa, onde se manteve escondida e em profundo sofrimento, sem compartilhar com ninguém a situação. Em relação ao caso, assinale a assertiva correta sobre o atendimento a ser prestado pela equipe multidisciplinar na Emergência.
Violência sexual: Acolhimento + PEP HIV (até 72h) + Anticoncepção de Emergência + Profilaxia ISTs não virais + Equipe multidisciplinar.
Em casos de violência sexual, o atendimento na emergência deve ser multidisciplinar, priorizando o acolhimento da vítima. É crucial oferecer profilaxia pós-exposição para HIV (PEP) se o contato ocorreu há menos de 72 horas, anticoncepção de emergência e profilaxia para ISTs não virais, independentemente do tempo de ocorrido, além de avaliação psicossocial. A notificação é compulsória e não depende do desejo da paciente.
O atendimento à vítima de violência sexual na emergência é uma situação complexa que exige uma abordagem humanizada, ética e multidisciplinar. É fundamental que a equipe de saúde priorize o acolhimento da paciente, garantindo um ambiente seguro e de suporte, sem julgamentos. A violência sexual é um agravo de notificação compulsória, o que significa que o registro do caso é obrigatório, independentemente da vontade da vítima, para fins de vigilância epidemiológica e políticas públicas. O protocolo de atendimento inclui diversas etapas cruciais. Primeiramente, a avaliação clínica para identificar lesões e coletar vestígios forenses (com consentimento). Em seguida, a profilaxia de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) não virais (como sífilis, gonorreia e clamídia) deve ser iniciada, independentemente do tempo decorrido. A anticoncepção de emergência também é essencial e deve ser oferecida o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras 72 horas, mas pode ser eficaz até 5 dias após o ato. Um ponto crítico é a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para HIV. A PEP deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 2 horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição. O esquema antirretroviral é utilizado por 28 dias ininterruptamente. Após 72 horas, a indicação da PEP é questionável devido à baixa eficácia. Além das medidas médicas, a avaliação e o suporte psicossocial são indispensáveis, com encaminhamento para serviços de psiquiatria e serviço social, garantindo um acompanhamento integral da vítima. A equipe deve orientar sobre a importância do seguimento ambulatorial para exames de controle e suporte contínuo.
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para HIV deve ser iniciada o mais rapidamente possível, idealmente nas primeiras 2 horas, e no máximo até 72 horas após a exposição. Após 72 horas, a eficácia da PEP é significativamente reduzida e geralmente não é indicada.
O atendimento médico imediato deve incluir acolhimento humanizado, coleta de história clínica detalhada, exame físico completo (com coleta de vestígios forenses se indicado e consentido), profilaxia para ISTs não virais, anticoncepção de emergência, profilaxia pós-exposição para HIV (se dentro do prazo) e avaliação psicossocial com encaminhamento para suporte.
A notificação de violência sexual é compulsória no Brasil, conforme legislação vigente. Ela deve ser realizada pela equipe de saúde, independentemente do desejo da paciente, visando à vigilância epidemiológica e à formulação de políticas públicas, sem que isso condicione o atendimento à vítima.
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