INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma escolar com 7 anos de idade foi levada para atendimento no pronto-socorro após episódio de violência sexual. A criança, no dia anterior, foi deixada aos cuidados do primo com 18 anos de idade para que os pais pudessem trabalhar. No dia seguinte, pela manhã, a mãe notou que a criança estava chorosa e com presença de sangue em roupas íntimas e de ferimento em região anal. Durante o atendimento, a criança informou que o seu primo introduziu o pênis em seu orifício anal e que isso tem acontecido há 1 ano. A caderneta de vacinação da criança encontra-se completa. Durante o exame físico, a criança mostra-se em bom estado geral, mas bastante assustada, com sinais vitais estáveis e presença de laceração em região anal. Após o atendimento inicial, são realizados exames laboratoriais e o resultado do anti-HBs da criança é negativo. O primo da criança encontra-se foragido. Segundo a linha de cuidado para a atenção integral à saúde de crianças em situação de violências, para a profilaxia para hepatite B, recomenda-se realizar
Vítima de violência sexual com anti-HBs negativo → nova série de vacinação Anti-hepatite B (3 doses) para profilaxia.
Em vítimas de violência sexual com status vacinal incerto ou anti-HBs negativo, a profilaxia para hepatite B inclui uma nova série completa de vacinação, pois a imunoglobulina é reservada para situações específicas de exposição de alto risco em não vacinados ou com resposta imune inadequada, e o primo está foragido, impossibilitando testagem da fonte.
A violência sexual contra crianças é uma grave violação dos direitos humanos e um problema de saúde pública com profundas consequências físicas, psicológicas e sociais. O atendimento a essas vítimas exige uma abordagem integral e multidisciplinar, focada na proteção, acolhimento, prevenção de infecções e gravidez, e suporte psicossocial. A profilaxia pós-exposição (PEP) para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo hepatite B, é um componente essencial desse cuidado. A hepatite B é uma infecção viral que pode ser transmitida por via sexual e percutânea. A profilaxia após violência sexual visa prevenir a infecção, que pode evoluir para cronicidade e complicações graves como cirrose e carcinoma hepatocelular. A avaliação do status vacinal e sorológico da vítima é fundamental. Se a criança já foi vacinada, mas o anti-HBs é negativo, indica-se que não houve soroconversão ou que a imunidade declinou. Nesse cenário, a recomendação é iniciar uma nova série completa de vacinação anti-hepatite B (3 doses) para induzir uma resposta imune protetora. A imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHB) é geralmente reservada para indivíduos não vacinados ou com vacinação incompleta/desconhecida, em conjunto com a primeira dose da vacina, especialmente se a fonte for HBsAg positiva ou desconhecida e a exposição de alto risco. A ausência do agressor impossibilita a testagem da fonte, reforçando a necessidade de proteção ativa da vítima.
A profilaxia para hepatite B é crucial devido ao risco de transmissão do vírus por contato com sangue ou fluidos corporais durante o abuso, prevenindo uma infecção crônica com graves consequências à saúde.
A imunoglobulina é indicada para vítimas não vacinadas, com vacinação incompleta ou desconhecida, especialmente se a fonte for HBsAg positiva ou desconhecida, e a exposição for de alto risco.
Para crianças com caderneta de vacinação completa mas anti-HBs negativo, recomenda-se uma nova série completa de vacinação anti-hepatite B (3 doses) para garantir a soroconversão e proteção.
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