Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
Adolescente, sexo feminino, 13 anos, é trazida ao serviço de emergência com história de um abuso sexual, relatado pela própria menina, realizado por um vizinho. Ela refere história muito clara de contato genital-genital. Relata que foi um único episódio e que ocorreu há cerca de 10 dias.Sobre a violência sexual sofrida por essa adolescente, assinale a alternativa correta.
Abuso sexual: foco no acolhimento, profilaxia e direitos legais, mesmo sem achados físicos.
Em casos de violência sexual, o papel do médico é acolher, oferecer profilaxia (ISTs, gravidez) e informar sobre direitos, incluindo a interrupção legal da gestação, independentemente dos achados do exame físico ou do tempo decorrido para anticoncepção de emergência. A veracidade do relato é presumida.
A violência sexual contra adolescentes é uma grave questão de saúde pública que exige um atendimento médico e psicossocial abrangente e humanizado. É fundamental que o profissional de saúde atue de forma acolhedora, respeitando a autonomia e a privacidade da vítima, e esteja ciente dos protocolos de atendimento e da legislação vigente. A notificação compulsória é obrigatória, garantindo a proteção e o acesso aos direitos da vítima. O atendimento inicial deve focar na avaliação clínica, profilaxia de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez, e na coleta de evidências forenses, se aplicável e consentido. A profilaxia pós-exposição para HIV, sífilis e hepatite B, assim como a anticoncepção de emergência, devem ser oferecidas o mais rápido possível. É crucial que o médico não questione a veracidade do relato da vítima, mas sim ofereça suporte e informações sobre os próximos passos. Um aspecto legal fundamental é o direito à interrupção da gestação em casos de estupro, conforme previsto em lei no Brasil. A adolescente deve ser informada sobre essa possibilidade e encaminhada para os serviços de referência, caso seja sua decisão. O suporte psicológico e social contínuo é essencial para a recuperação da vítima, e o registro detalhado no prontuário é indispensável para a continuidade do cuidado e para fins legais.
Os passos iniciais incluem acolhimento humanizado, avaliação clínica para lesões e ISTs, profilaxia pós-exposição (HIV, sífilis, hepatite B) e anticoncepção de emergência, além de registro detalhado e notificação.
O exame físico busca identificar lesões, coletar evidências e avaliar a necessidade de profilaxia. A ausência de lesões não invalida o relato de violência sexual, pois muitas agressões não deixam marcas visíveis.
A anticoncepção de emergência com levonorgestrel é mais eficaz nas primeiras 72 horas, mas pode ser utilizada até 120 horas (5 dias) após o ato sexual desprotegido, com eficácia decrescente.
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