SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Menina, 12 anos de idade, vem ao pronto atendimento com dor abdominal tipo cólica e náuseas. Questionada sobre ciclo menstrual, informa que menstruou pela primeira vez há 6 meses e que nos últimos 4 meses o ciclo estava regular a cada 28 dias, exceto este mês que está atrasada há 15 dias. Ao ser novamente questionada sobre sua vida sexual, refere sofrer violência sexual de seu vizinho de 25 anos de idade, há 2 anos, e que o mesmo a ameaça para que não conte para os pais. Último episódio de violência sexual ocorreu há cerca de 4 semanas e o penúltimo há 3 meses. Nega que ele utilize condom. Entre os exames solicitados, o beta HCG está positivo. A ultrassonografia, de hoje, evidencia gestação tópica única, com embrião presente compatível com gestação de 6 semanas, BCF: 128bpm. Todas as providências legais e médicas cabíveis foram tomadas e houve conversa com os pais da paciente que estão chorosos, assim como a paciente, pois não desejam a gestaçãoConsiderando a violência sexual, nesse caso, é correto afirmar:
Profilaxia HIV/IST após violência sexual → Eficaz apenas se iniciada em até 72 horas.
A profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV e outras ISTs possui uma janela terapêutica restrita; após 4 semanas da última exposição, a profilaxia medicamentosa não é mais indicada, devendo-se focar no diagnóstico de infecções já estabelecidas.
O atendimento a vítimas de violência sexual é uma emergência médica e humanitária. O protocolo brasileiro preconiza o acolhimento sem julgamentos e a oferta imediata de profilaxias. A profilaxia para HIV (antirretrovirais por 28 dias) e para Hepatite B (vacina e, se necessário, imunoglobulina) deve ocorrer em até 72 horas. A profilaxia para ISTs não virais (sífilis, gonorreia, clamídia) é recomendada o mais precocemente possível. No cenário clínico descrito, a última violência ocorreu há 4 semanas (28 dias). Portanto, a janela para profilaxia medicamentosa de ISTs e HIV já se fechou. A paciente já apresenta uma gestação de 6 semanas (provavelmente do penúltimo episódio ou do último, considerando a margem de erro da USG). A conduta correta agora é o rastreamento sorológico para tratar infecções presentes, oferecer suporte psicológico e discutir as opções legais quanto à interrupção da gestação, conforme garantido pelo Código Penal Brasileiro em casos de estupro.
O prazo máximo para o início da PEP para HIV é de 72 horas após a exposição de risco. A eficácia é significativamente maior quando iniciada nas primeiras 2 horas. Após 72 horas, a replicação viral e a integração do DNA viral no genoma do hospedeiro tornam a profilaxia ineficaz, não sendo mais recomendada pelo Ministério da Saúde.
No caso de gestação decorrente de estupro, a paciente tem direito legal ao aborto previsto em lei, independentemente de registro policial. O atendimento deve ser multidisciplinar (médico, psicológico e social). Se a violência ocorreu há semanas, como no caso, a profilaxia de ISTs não é mais indicada; deve-se realizar a triagem sorológica (HIV, Sífilis, Hepatites) e tratar infecções confirmadas.
O protocolo padrão (quando dentro do prazo de até 2 semanas para algumas ISTs, mas idealmente imediato) inclui: Azitromicina (clamídia), Ceftriaxona (gonococo), Penicilina Benzatina (sífilis) e Metronidazol (tricomoníase). No entanto, para HIV e Hepatite B, o limite rigoroso é de 72 horas.
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