USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Adolescente de 17 anos apresenta resultado positivo para gravidez. Refere que tem um namorado e utiliza preservativo em todas as relações. Há seis semanas, após uma festa, estava alcoolizada e seu namorado teve relação sexual com ela, sem preservativo, desacordada. Ela tem medo de ter uma gestação e não a desejaria neste momento de sua vida.Qual a melhor conduta nesta consulta?
Violência sexual + gravidez → Aborto legal é direito; notificar e decidir plano com a paciente.
Em casos de violência sexual resultando em gravidez, é fundamental informar a paciente sobre seu direito ao aborto legal no Brasil, realizar a notificação compulsória da violência e, em conjunto com ela, definir o plano de cuidados, respeitando sua autonomia.
A situação apresentada descreve um caso de violência sexual, caracterizado pela ausência de consentimento da adolescente devido ao estado de inconsciência (alcoolizada). A gravidez resultante de estupro é uma das três situações em que o aborto é legalmente permitido no Brasil, conforme o Código Penal, não exigindo autorização judicial ou policial. A conduta inicial deve focar na proteção e nos direitos da vítima. É crucial explicar claramente à paciente sobre a natureza da violência sofrida e seu direito incondicional à interrupção legal da gravidez. A notificação compulsória da violência é um dever do profissional de saúde e não depende da autorização da vítima para ser realizada, sendo importante para a vigilância epidemiológica. Após informar sobre os direitos e realizar a notificação, o plano de cuidados deve ser construído em conjunto com a paciente, respeitando sua autonomia e decisão. Isso inclui a escolha pela interrupção da gravidez ou pelo prosseguimento, garantindo suporte psicológico, social e médico adequado, independentemente da escolha, e assegurando a confidencialidade.
No Brasil, a vítima de violência sexual tem direito à interrupção legal da gravidez (aborto legal), independentemente da idade gestacional, além de atendimento médico e psicossossocial completo.
Sim, a notificação de violência sexual é compulsória para profissionais de saúde, conforme legislação brasileira, visando o registro e a vigilância epidemiológica, sem depender da autorização da vítima para o ato da notificação.
Em casos de violência sexual, a decisão sobre o aborto legal é da própria vítima. Embora a comunicação aos pais seja recomendada para menores, a falta de consentimento parental não impede o procedimento, especialmente se houver risco à saúde ou vida da adolescente.
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