SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Lidia, mulher cis de 24 anos, G1P1, comparece à emergência da maternidade em que você está de plantão com história de conjunção carnal não autorizada ocorrida há mais ou menos 3h. A mesma tem enxaqueca e história de trombose venosa profunda em gestação anterior há 2 anos. Considerando o acolhimento e as profilaxias necessárias às vítimas de violência sexual, assinale a alternativa correta.
Violência sexual: Levonorgestrel é primeira escolha para anticoncepção de emergência, mesmo com história de trombose.
Em casos de violência sexual, a anticoncepção de emergência é prioritária. O levonorgestrel é a primeira escolha farmacológica, pois não contém estrogênio e, portanto, não aumenta o risco de trombose, sendo seguro para pacientes com histórico de TVP.
O atendimento a vítimas de violência sexual é uma situação de emergência que exige uma abordagem multidisciplinar, humanizada e baseada em protocolos claros. A prioridade é o acolhimento da paciente, a garantia de sua segurança e a oferta de todas as profilaxias necessárias para prevenir gravidez indesejada e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A janela de tempo para a eficácia de algumas intervenções, como a anticoncepção de emergência e a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV, é limitada, tornando a agilidade no atendimento crucial. No que tange à anticoncepção de emergência, o levonorgestrel (progestágeno isolado) é o método farmacológico de primeira escolha. Sua eficácia é maior quanto antes for administrado após a conjunção carnal não autorizada, idealmente nas primeiras 72 horas. A grande vantagem do levonorgestrel é que, por não conter estrogênio, ele não aumenta o risco de eventos trombóticos, sendo, portanto, seguro para pacientes com histórico de trombose venosa profunda (TVP), como a paciente Lidia. O DIU de cobre é outra opção eficaz de anticoncepção de emergência, especialmente se a paciente puder inseri-lo em até 5 dias, e também não tem contraindicação para TVP, mas o levonorgestrel é a primeira escolha farmacológica devido à sua facilidade de administração. Além da anticoncepção, é imperativa a profilaxia para diversas ISTs, incluindo HIV (com PEP), sífilis, hepatite B e outras infecções bacterianas como gonorreia e clamídia. A notificação compulsória do caso é obrigatória, respeitando-se o sigilo e a privacidade da vítima. O manejo completo exige conhecimento atualizado dos protocolos do Ministério da Saúde e das diretrizes de sociedades médicas, sendo um tema de grande relevância para a formação de residentes em ginecologia, obstetrícia e medicina de emergência.
A conduta inicial envolve acolhimento humanizado, coleta de história detalhada, exame físico completo (com coleta de vestígios, se consentido), e profilaxias essenciais: anticoncepção de emergência, profilaxia para ISTs (HIV, sífilis, hepatite B, gonorreia, clamídia, tricomoníase) e vacinação antitetânica, se indicada.
O levonorgestrel é o método de primeira escolha devido à sua alta eficácia e perfil de segurança. Por ser um progestágeno isolado, não possui os riscos trombóticos associados aos estrogênios, sendo seguro mesmo em pacientes com histórico de trombose venosa profunda, como no caso da paciente Lidia.
As profilaxias para ISTs incluem: para HIV (PEP com antirretrovirais), para sífilis (penicilina benzatina), para hepatite B (vacina e/ou imunoglobulina), e para gonorreia/clamídia (ceftriaxona + azitromicina). Outras profilaxias podem ser consideradas dependendo da epidemiologia local e avaliação clínica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo