Violência Contra a Mulher na APS: Conduta e Apoio

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021

Enunciado

Uma mulher de 46 anos de idade comparece à Unidade de Saúde da Família do seu bairro pedindo atendimento de urgência devido a fortes dores nos braços e costas. A paciente já realiza acompanhamento regular por quadro depressivo de difícil controle, iniciado há 4 meses. Foi referenciada a um Centro de Atenção Psicossocial, porém, ainda não conseguiu agendamento. Em seu exame físico, constatou-se a presença de hematomas e de escoriações em membros superiores e na região lombar. Ao final da consulta, confidencia sofrer agressões físicas frequentes pelo marido. Nesse caso, a conduta médica indicada será

Alternativas

  1. A) Acionar a policia sobre violência intradomiciliar à mulher e planejar uma intervenção familiar.
  2. B) Realizar encaminhamento à psiquiatria, pois na Atenção Primária à Saúde não é possível manejar esse caso.
  3. C) Solicitar avaliação pela equipe do núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), que decidirá o melhor plano terapêutico.
  4. D) Agendar consulta compartilhada com a equipe do NASF para decisão de abordagens interprofissionais.

Pérola Clínica

Violência contra a mulher na APS: acolher, registrar, notificar e planejar conduta interprofissional com NASF.

Resumo-Chave

A Atenção Primária à Saúde tem um papel fundamental no manejo da violência intradomiciliar. A conduta não se limita a acionar a polícia, mas envolve acolhimento, registro, notificação compulsória e um plano terapêutico interprofissional, muitas vezes com o apoio do NASF.

Contexto Educacional

A violência intradomiciliar, especialmente contra a mulher, é um grave problema de saúde pública com profundas repercussões físicas e psicossociais. A Atenção Primária à Saúde (APS) é o nível de atenção mais adequado para a identificação precoce, acolhimento e manejo inicial desses casos, devido à sua proximidade com a comunidade e ao vínculo estabelecido com os pacientes. A conduta médica nesses casos vai além do tratamento das lesões físicas. Envolve um acolhimento empático, a garantia de um espaço seguro para a mulher expressar-se, o registro detalhado no prontuário e a notificação compulsória aos órgãos competentes, respeitando a autonomia da vítima sempre que possível. É fundamental que o profissional de saúde não julgue e ofereça suporte contínuo. A abordagem interprofissional, muitas vezes com o apoio do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), é essencial para construir um plano terapêutico abrangente. Isso pode incluir acompanhamento psicológico, social, encaminhamento para serviços de proteção e, se necessário, acionamento de redes de apoio legal. O objetivo é empoderar a mulher e garantir sua segurança e bem-estar, integrando os cuidados de saúde com a rede de proteção social.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da Atenção Primária à Saúde no manejo da violência contra a mulher?

A APS tem o papel de acolher, identificar, registrar, notificar, oferecer suporte e planejar um plano terapêutico interprofissional, encaminhando para serviços especializados quando necessário.

Como o NASF pode auxiliar em casos de violência intradomiciliar?

O NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) pode oferecer suporte psicossocial, realizar discussões de caso, e auxiliar na construção de um plano terapêutico interprofissional, integrando diferentes saberes.

A notificação da violência é obrigatória?

Sim, a notificação de casos de violência, incluindo a intradomiciliar, é compulsória para profissionais de saúde, visando a coleta de dados e a formulação de políticas públicas.

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