UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Menina, 1 ano de idade, foi trazida ao PS por profissionais da creche preocupados com possível violência física contra a menor. Na avaliação, lactente está irritada e apresenta hematomas em região de nádegas, com restante do exame físico normal. Pais chegam mais tarde, relatando que os hematomas eram devidos a queda da própria altura há 2 dias. Mostravam-se ansiosos e querendo levar sua filha embora. Qual a medida mais adequada?
Suspeita de violência infantil → investigação detalhada de lesões e contexto antes de qualquer decisão.
Diante de uma suspeita de violência física infantil, é imperativo realizar uma investigação completa e detalhada das lesões, buscando características que sugiram não acidentalidade, antes de tomar qualquer medida precipitada ou liberar a criança.
A violência física infantil é um grave problema de saúde pública, com alta morbidade e mortalidade. A suspeita deve ser levantada sempre que houver discrepância entre a história relatada pelos cuidadores e as lesões apresentadas pela criança, ou quando as lesões são inconsistentes com o estágio de desenvolvimento da criança. A prevalência é subestimada, mas estima-se que milhões de crianças sejam vítimas anualmente. É crucial que profissionais de saúde estejam aptos a identificar e intervir. A fisiopatologia das lesões por abuso não difere das lesões acidentais em termos de mecanismo de dano tecidual, mas o contexto e o padrão são distintos. O diagnóstico exige uma avaliação clínica minuciosa, incluindo exame físico completo (com atenção a áreas ocultas), exames complementares (radiografias de esqueleto, exames laboratoriais) e, se possível, avaliação por equipe multidisciplinar. Deve-se suspeitar em casos de hematomas em locais atípicos (nádegas, tronco, face em lactentes), fraturas em crianças não deambuladoras, queimaduras com padrões específicos e atraso na busca por atendimento. A conduta terapêutica inicial visa garantir a segurança da criança e tratar as lesões. Posteriormente, é fundamental a notificação compulsória aos órgãos de proteção (Conselho Tutelar, Ministério Público) para que as medidas legais e sociais cabíveis sejam tomadas. O prognóstico depende da gravidade do abuso, da precocidade da intervenção e do suporte psicossossocial oferecido à criança e família. A proteção da criança é a prioridade máxima.
Sinais de alerta incluem lesões em locais atípicos (tronco, orelhas, pescoço, nádegas), múltiplas lesões em diferentes estágios de cicatrização, fraturas em crianças não deambuladoras, queimaduras com padrões incomuns e discrepância entre a história e as lesões.
A diferenciação envolve a análise da localização, padrão e gravidade das lesões, a compatibilidade da história fornecida com o tipo de lesão e o estágio de desenvolvimento da criança. Lesões em áreas protegidas ou com padrões específicos (mordidas, marcas de cinto) são altamente sugestivas de não acidentalidade.
O papel do médico é garantir a segurança da criança, realizar uma avaliação clínica e documentação detalhada das lesões, e notificar as autoridades competentes (Conselho Tutelar, polícia) conforme a legislação local, sem emitir juízo de valor.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo