UFAL/HUPAA - Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (AL) — Prova 2018
Uma paciente chega à Unidade Básica de Saúde relatando que é agredida fisicamente pelo seu esposo. Ela tem diagnóstico de esquizofrenia, há 5 anos, e depende financeiramente do marido, e é este que lhe dá a medicação diariamente. Está em crise, inquieta, chorosa e vai pedir ajuda ao seu médico de Família. Assinale a melhor conduta a ser tomada pelo médico.
Violência doméstica: notificação compulsória, orientação sobre direitos e Lei Maria da Penha, manejo da crise psiquiátrica na UBS.
Em casos de violência doméstica, a notificação é compulsória e não depende da autorização da vítima. O médico de família deve acolher, orientar sobre direitos (Lei Maria da Penha) e manejar a crise psiquiátrica, sem a necessidade imediata de encaminhamento a um psiquiatra para controle inicial dos sintomas.
A violência doméstica é um grave problema de saúde pública, com impactos devastadores na saúde física e mental das vítimas. Quando a vítima possui uma condição de saúde mental preexistente, como a esquizofrenia, a situação se torna ainda mais complexa, pois a dependência e a vulnerabilidade são acentuadas. O médico de família, por sua proximidade e integralidade do cuidado, desempenha um papel fundamental no acolhimento e manejo desses casos. Diante de um relato de violência doméstica, a conduta médica deve ser pautada pela ética, legislação e princípios de saúde pública. É imperativo acolher a paciente, oferecer escuta qualificada e orientá-la sobre seus direitos, incluindo a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que estabelece mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. A notificação da violência é um ato compulsório e não depende da autorização da vítima, sendo uma ferramenta essencial para acionar a rede de proteção. No caso de uma paciente com esquizofrenia em crise, o médico de família deve, além de orientar e notificar, realizar o ajuste necessário da medicação para estabilizar o quadro psiquiátrico agudo. O encaminhamento para um psiquiatra ou assistente social pode ser necessário em um segundo momento, mas a intervenção inicial de acolhimento, notificação e controle da crise pode e deve ser feita na Unidade Básica de Saúde, que é a porta de entrada para o cuidado integral.
Além do relato direto da paciente, o médico deve observar sinais como lesões em diferentes estágios de cicatrização, lesões em áreas atípicas (face, pescoço, tórax), atraso na procura por atendimento, isolamento social, alterações de humor, ansiedade, depressão e dependência financeira ou emocional do agressor.
Sim, a notificação de violência doméstica, sexual e outras violências é compulsória no Brasil, conforme a Lei nº 10.778/2003 e outras normativas. Ela deve ser realizada por profissionais de saúde ao sistema de informação competente, independentemente da vontade da vítima, visando a proteção e o acionamento da rede de apoio.
O médico de família deve acolher a paciente, garantindo um ambiente seguro e de escuta. Deve-se orientar sobre seus direitos e a Lei Maria da Penha, ajustar a medicação para controle dos sintomas psiquiátricos agudos e realizar a notificação compulsória da violência, encaminhando-a para a rede de proteção e assistência social, se necessário.
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