UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2023
Sheila, 26 anos, residente no bairro do Mandacaru com marido, Igor, e filho de 3 anos de idade, Enzo. Após avaliar um resultado de VDRL no pré-natal positivo o médico realiza perguntas sobre práticas sexuais dela e do marido, Sheila começa a chorar e revela estar sendo traída. O marido nunca quis que ela trabalhasse, relata para os familiares dela que ela não tem capacidade para trabalhar fora e que só serve para trabalhar Iimpando a casa. Depois de ficar desempregado, tem bebido bastante e chegou a agredi-la fisicamente duas vezes nos últimos 06 meses. Analise as afirmativas abaixo e em seguida assinale a alternativa que realiza a avaliação correta sobre as mesmas. | - No caso relatado acima a violência foi iniciada nos últimos 06 mesesII - A notificação de violência doméstica, sexual ou outras à vigilância epidemiológica é compulsória no caso de violência contra criança, adolescente, mulher ou pessoa idosa.III. - A mensagem clara de que a violência é sempre errada e de que ninguém pode ser culpado por sofrer violência é primordial. Deve-se evitar a banalização, ou relativização do que venha a ser violência.
Violência doméstica é multifacetada (física, psicológica, patrimonial), notificação compulsória é essencial, e o acolhimento da vítima deve ser sem julgamentos.
A violência doméstica não se limita à agressão física; a violência psicológica e patrimonial também são formas graves. A notificação é obrigatória para proteger a vítima e coletar dados epidemiológicos, e a abordagem do profissional de saúde deve ser empática e sem culpabilização.
A violência doméstica e familiar contra a mulher é um grave problema de saúde pública e de direitos humanos, com profundas repercussões físicas, psicológicas e sociais. É essencial que profissionais de saúde estejam aptos a identificar, acolher e intervir nesses casos, que muitas vezes se manifestam de forma velada ou progressiva. A violência não se restringe apenas à agressão física; ela abrange também as violências psicológica, sexual, patrimonial e moral. No caso apresentado, a violência psicológica (marido que desqualifica a esposa) e patrimonial (não a deixa trabalhar) já existia antes das agressões físicas, demonstrando a natureza contínua e multifacetada do ciclo da violência. A notificação de casos de violência contra a mulher à vigilância epidemiológica é compulsória, conforme legislação vigente, e visa à coleta de dados para formulação de políticas públicas e proteção da vítima. O papel do profissional de saúde é primordial no acolhimento da vítima, oferecendo um ambiente de escuta ativa e sem julgamentos. É fundamental que a mensagem transmitida seja clara: a violência é inaceitável e a vítima nunca é culpada pelo que sofreu. Além da notificação, o encaminhamento para a rede de apoio (serviços sociais, jurídicos, psicológicos) é parte integrante do cuidado integral.
A Lei Maria da Penha define cinco tipos de violência doméstica: física (qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal), psicológica (causa dano emocional, diminuição da autoestima), sexual (constrange a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada), patrimonial (subtrai, retém ou destrói bens, documentos, instrumentos de trabalho) e moral (calúnia, difamação ou injúria).
A notificação de violência é compulsória para profissionais de saúde em casos de violência contra criança, adolescente, mulher, pessoa idosa e pessoa com deficiência. Essa notificação é feita à vigilância epidemiológica e tem como objetivo subsidiar políticas públicas e proteger a vítima.
A abordagem do profissional de saúde é crucial para o acolhimento e o estabelecimento de um vínculo de confiança com a vítima. É fundamental oferecer um espaço seguro, ouvir sem julgamentos, validar a experiência da vítima, informar sobre seus direitos e encaminhá-la para a rede de apoio, sem culpabilizá-la pela violência sofrida.
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