SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2021
Joana, de 26 anos, procura frequentemente a Unidade de Saúde da Família por problemas diversos. Revisando seu prontuário, é possível encontrar diagnósticos como depressão, ansiedade, fibromialgia e síndrome de dor crônica. Dessa vez, após referir no acolhimento que estava com cefaleia, a médica pede que retire os óculos escuros e percebe que Joana tem uma lesão causada por trauma contuso no rosto. Logo elcomeça a chorar e relata que foi agredida pelo marido, pai de seus três filhos. Sobre a abordagem de violência doméstica pelo serviço de saúde, é possível afirmar que:
Abordagem da violência doméstica na saúde foca em identificar desigualdades de gênero e promover a autonomia da vítima.
A violência doméstica é um problema de saúde pública complexo, frequentemente associado a desigualdades de gênero. A abordagem no serviço de saúde deve ir além do tratamento das lesões físicas, buscando compreender o contexto da vítima e oferecer suporte para sua emancipação e segurança, respeitando sua autonomia.
A violência doméstica é um grave problema de saúde pública, com alta prevalência e consequências devastadoras para a saúde física e mental das vítimas. É fundamental que os profissionais de saúde, especialmente aqueles que atuam na Atenção Primária, estejam preparados para identificar, acolher e intervir nesses casos. A violência de gênero é um fenômeno complexo, que transcende a agressão física, englobando abusos psicológicos, sexuais, financeiros e negligência, e está intrinsecamente ligada a padrões sociais e culturais de desigualdade. O perfil da vítima de violência doméstica frequentemente inclui histórico de problemas de saúde crônicos, como depressão, ansiedade e síndromes de dor, levando a uma busca frequente por serviços de saúde. A abordagem deve ser pautada no acolhimento, na escuta ativa e na construção de um vínculo de confiança. É essencial que o profissional de saúde identifique as desigualdades de gênero que sustentam a violência e trabalhe para promover a autonomia e a emancipação da vítima, oferecendo informações sobre seus direitos e a rede de apoio disponível, sem impor decisões. A notificação compulsória é uma ferramenta importante, mas deve ser realizada com sensibilidade e, sempre que possível, com o consentimento da vítima, garantindo sua segurança. O serviço de saúde deve atuar em rede com outros setores (assistência social, jurídico, segurança pública) para oferecer um suporte integral. O impacto da violência doméstica na morbidade é significativo, com sequelas físicas e psicológicas de longo prazo, e embora o desfecho de homicídio seja um risco, a morbidade crônica é uma realidade para muitas vítimas, reforçando a importância de uma abordagem contínua e humanizada.
O profissional de saúde tem o papel de acolher a vítima, identificar sinais de violência, oferecer um espaço seguro para o relato, tratar as lesões físicas e psicológicas, e informar sobre os direitos e a rede de apoio disponível, sempre respeitando a autonomia da vítima e sua decisão sobre os próximos passos.
A violência doméstica é predominantemente exercida por homens contra mulheres e está profundamente enraizada em estruturas sociais patriarcais que perpetuam a subordinação feminina. As desigualdades de gênero criam um ambiente onde a violência é tolerada e as mulheres têm menos poder para resistir ou sair de relacionamentos abusivos.
Os impactos na saúde são vastos, incluindo lesões físicas, transtornos mentais como depressão, ansiedade e TEPT, dor crônica, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, e aumento do risco de suicídio. A violência também afeta a saúde dos filhos e a capacidade da vítima de buscar e manter emprego.
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