FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Jessica tem 32 anos. Vive com o companheiro e 2 filhos. Recentemente foi presa por estar em ponto de venda de drogas no momento de batida policial. Ficou 20 dias longe de casa até ser liberada por ser mãe e não ter ficha policial. Quando retornou à casa, foi agredida pelo companheiro. A agressão foi de conhecimento geral da vizinhança. Uma amiga próxima de Jessica procurou ajuda da equipe de saúde da família, pois a mesma está com muito medo de sofrer outra agressão, além de estar com ferimentos e medo de procurar a urgência (não se tratava do primeiro episódio de agressão). Qual a conduta mais adequada?
Em violência doméstica, acolha a vítima, trate ferimentos e, após estabilização, aborde o rompimento do ciclo de violência.
O acolhimento imediato e o cuidado com os ferimentos físicos são prioridades. Após garantir a segurança e o bem-estar físico, é essencial abordar a questão da violência doméstica de forma empática, oferecendo suporte e informando sobre as possibilidades de rompimento do ciclo de violência, respeitando o tempo da vítima.
A violência doméstica é um grave problema de saúde pública, com impactos profundos na saúde física e mental das vítimas. A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel fundamental na identificação, acolhimento e manejo desses casos, sendo muitas vezes o primeiro contato da vítima com o sistema de saúde. É essencial que os profissionais de saúde estejam preparados para oferecer um cuidado integral e humanizado. O acolhimento da vítima de violência deve ser a prioridade inicial. Isso envolve criar um ambiente seguro e de confiança, onde a paciente se sinta à vontade para relatar a situação. Após o cuidado dos ferimentos físicos e a estabilização clínica, a abordagem deve se concentrar em discutir as opções e o suporte disponível para o rompimento do ciclo de violência, como a Lei Maria da Penha e a rede de apoio psicossocial e jurídica. A notificação compulsória é importante, mas deve ser feita de forma a proteger a vítima e em conjunto com o plano de cuidado. É crucial que o profissional de saúde não julgue a vítima e respeite seu tempo e suas decisões, oferecendo suporte contínuo e informações claras sobre os recursos disponíveis. A construção de um vínculo de confiança é essencial para que a paciente se sinta segura para buscar ajuda e, eventualmente, romper com o ciclo de violência. A equipe de saúde da família, com sua proximidade e conhecimento do contexto social, é ideal para esse tipo de intervenção.
A equipe de saúde da família tem um papel crucial no acolhimento, identificação, cuidado dos ferimentos, notificação e suporte contínuo às vítimas de violência doméstica, além de ser um elo para a rede de proteção.
A abordagem deve ser empática, em ambiente seguro e privado, focando na escuta ativa, validação dos sentimentos da vítima e oferecendo informações sobre seus direitos e recursos disponíveis, sem pressionar por decisões imediatas.
Após o acolhimento, os passos iniciais incluem o cuidado dos ferimentos físicos, avaliação da segurança da vítima, notificação compulsória do caso (respeitando a confidencialidade) e o planejamento de um plano de segurança e suporte psicossocial.
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