HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022
Uma mulher de 23 anos de idade fez o pré-natal do seu primeiro filho em uma UBS. Após o parto, ela comparece para as consultas de puericultura. Mora com o filho de 6 meses e com o companheiro de mesma idade, que trabalha como segurança de um shopping. A equipe de saúde percebe que ela está mais quieta, triste e nota que, com certa frequência, apresenta hematomas nos braços. Assinale a alternativa correta em relação a esse caso.
Hematomas inexplicados + alterações comportamentais (tristeza, isolamento) → investigar violência doméstica.
A presença de hematomas em locais atípicos ou em diferentes estágios de cicatrização, associada a mudanças de comportamento como tristeza e isolamento, deve levantar forte suspeita de violência doméstica. A equipe de saúde tem o dever de abordar o tema de forma sensível e segura.
A violência doméstica é um grave problema de saúde pública, com profundas consequências físicas, psicológicas e sociais para as vítimas. Mulheres no puerpério são particularmente vulneráveis devido às mudanças hormonais, emocionais e sociais. A equipe de saúde, especialmente na atenção primária, desempenha um papel crucial na identificação precoce e no manejo desses casos, sendo muitas vezes o primeiro e único contato da vítima com um serviço de apoio. A fisiopatologia da violência não é orgânica, mas social e psicológica, resultando em traumas físicos e emocionais. O diagnóstico de violência doméstica não se baseia em exames laboratoriais, mas na observação de sinais clínicos (hematomas, lesões, queixas somáticas) e comportamentais (isolamento, tristeza, ansiedade, medo). É fundamental suspeitar quando há inconsistência entre a história e as lesões, ou quando a paciente demonstra medo ou hesitação em falar. A conduta adequada exige uma abordagem sensível e segura. O profissional deve criar um ambiente de confiança, conversar com a paciente em particular, validar seus sentimentos e informá-la sobre seus direitos e opções de ajuda. O encaminhamento para a rede de apoio (psicólogos, assistentes sociais, delegacias especializadas) é essencial, sempre respeitando a autonomia da mulher e garantindo sua segurança.
Sinais incluem lesões inexplicadas ou em locais atípicos, hematomas em diferentes estágios de cicatrização, queixas vagas, isolamento social, tristeza, ansiedade e medo.
A abordagem deve ser individualizada, em ambiente seguro e privado, com escuta ativa, sem julgamentos, oferecendo apoio e informando sobre os direitos e recursos disponíveis, como a rede de proteção.
O profissional tem o papel de identificar, acolher, notificar (quando aplicável e seguro), orientar a vítima sobre seus direitos e encaminhá-la para a rede de apoio psicossocial e jurídica.
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