Violência Doméstica: Abordagem do Médico de Família e Comunidade

SMS Lucas do Rio Verde - Secretaria Municipal de Saúde (MT) — Prova 2019

Enunciado

Dona Alivina, 45 anos, diz que "dói tudo do pé a cabeça" há cerca de 3 anos, e que as dores pioraram nos últimos 2 meses após discussão com o marido que resultou em fratura de costela à esquerda. Refere que na época mentiu sobre o mecanismo do trauma ao médico que a atendeu e que nunca contou a outra pessoa sobre o caso. Relata ainda que sente falta de ar quando pensa nos problemas e que seu marido parece estar cada dia mais irritado e agressivo, principalmente após a morte do filho Leonardo em um acidente de moto há 6 meses. Refere que retornou ao hábito de tabagismo após a briga. Alivina nega HAS, nega DM ou outras comorbidades. Com relação ao caso acima assinale alternativa que melhor representa a conduta de um médico de família e comunidade.

Alternativas

  1. A) A paciente provavelmente é vítima de violência doméstica e o médico da UBS não deve explorar esse aspecto, já que não houve queixa direta sobre a possível agressão física recebida. 
  2. B) O médico deve sempre mostrar-se aberto a ouvir os problemas do paciente, mesmo que estes causem apenas sofrimento psíquico. 
  3. C) O médico deve encaminhar essa paciente ao Nasf para escuta, pois este conta com o psicólogo e a assistente social que são responsáveis pela escuta de problemas decorrentes de violência doméstica e sofrimento psíquico. 
  4. D) O foco da consulta deve ser principalmente o tabagismo, visto que este é o causador de danos realmente preocupantes à saúde de dona Alvina.

Pérola Clínica

MFC: escuta ativa e acolhimento → essencial para identificar violência e sofrimento psíquico, mesmo sem queixa direta.

Resumo-Chave

O médico de família e comunidade deve ter uma postura de escuta ativa e acolhimento, criando um ambiente seguro para que o paciente possa expressar suas preocupações, incluindo aquelas relacionadas a violência e sofrimento psíquico, que nem sempre são verbalizadas diretamente.

Contexto Educacional

A violência doméstica é um grave problema de saúde pública, com profundas repercussões físicas e psicossociais. O médico de família e comunidade (MFC) desempenha um papel crucial na identificação e manejo desses casos, dada sua posição privilegiada de vínculo e longitudinalidade com os pacientes na Atenção Primária à Saúde (APS). Muitas vezes, as vítimas não verbalizam diretamente a violência, apresentando queixas somáticas ou psicossomáticas. Neste cenário, a abordagem do MFC deve ser centrada na pessoa, com ênfase na escuta ativa, acolhimento e construção de um espaço seguro para que a paciente possa expressar suas dores e medos. É fundamental validar o sofrimento da paciente, seja ele físico ou psíquico, e não minimizar suas queixas. A postura de abertura e disponibilidade é mais importante do que a busca por uma queixa direta sobre a violência. A identificação de sinais indiretos, como dores crônicas difusas, lesões inexplicadas, ansiedade, depressão e mudanças de comportamento (como o retorno ao tabagismo), deve alertar o médico. Embora o encaminhamento a outros profissionais (como psicólogos e assistentes sociais do NASF) possa ser necessário, a responsabilidade inicial de acolhimento e manejo é do médico da UBS, que deve ser o ponto de partida para a rede de apoio.

Perguntas Frequentes

Como o médico de família deve abordar a suspeita de violência doméstica?

O médico de família deve criar um ambiente de confiança e segurança, oferecendo escuta ativa e acolhimento. É crucial não forçar a paciente a falar, mas sim mostrar-se disponível e validar seus sentimentos, oferecendo apoio e recursos quando ela estiver pronta.

Qual a importância da escuta ativa na atenção primária?

A escuta ativa permite ao médico compreender a totalidade da experiência do paciente, incluindo aspectos psicossociais e contextuais que impactam sua saúde, mesmo que não sejam a queixa principal. Isso fortalece o vínculo e facilita a identificação de problemas subjacentes.

O encaminhamento ao NASF é a primeira conduta em casos de sofrimento psíquico e violência?

Embora o NASF (Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica) seja um recurso valioso, a primeira conduta do médico de família é a escuta e o acolhimento. O encaminhamento deve ser uma etapa posterior, após a construção de vínculo e avaliação da necessidade, e não substitui a responsabilidade do médico da UBS.

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