Violência Doméstica na APS: Abordagem e Conduta Médica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher de 45 anos de idade comparece à Unidade de Saúde da Família do seu bairro pedindo atendimento de urgência devido a fortes dores nos braços e costas. A paciente já realiza acompanhamento regular por quadro depressivo de difícil controle, iniciado há 4 meses. Foi referenciada a um Centro de Atenção Psicossocial, porém, ainda não conseguiu agendamento. Em seu exame físico, constatou-se a presença de hematomas e de escoriações em membros superiores e na região lombar. Ao final da consulta, confidencia sofrer agressões físicas frequentes pelo marido. Nesse caso, a conduta médica indicada será

Alternativas

  1. A) Acionar a polícia sobre violência intradomiciliar à mulher e planejar uma intervenção familiar.
  2. B) realizar encaminhamento à psiquiatria, pois na Atenção Primária à Saúde não é possível manejar esse caso.
  3. C) solicitar avaliação pela equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF, que decidirá o melhor plano terapêutico.
  4. D) agendar consulta compartilhada com a equipe do NASF para decisão de abordagens interprofissionais.

Pérola Clínica

Violência doméstica: abordagem multiprofissional (NASF) na APS é essencial, priorizando segurança da vítima.

Resumo-Chave

Em casos de violência doméstica, a Atenção Primária à Saúde tem um papel crucial na identificação e manejo. A conduta deve ser interprofissional, envolvendo a equipe do NASF para um plano terapêutico abrangente que inclua apoio psicossocial, jurídico e de segurança, sempre respeitando a autonomia da vítima e priorizando sua segurança e bem-estar. A notificação é importante, mas a intervenção deve ser planejada e coordenada.

Contexto Educacional

A violência doméstica é um grave problema de saúde pública, com profundas repercussões físicas e psicossociais, como a depressão de difícil controle observada no caso. A Atenção Primária à Saúde (APS) é um cenário privilegiado para a identificação e o manejo desses casos, dada a longitudinalidade do cuidado e a proximidade com a comunidade. É crucial que os profissionais de saúde estejam capacitados para acolher a vítima, identificar sinais de violência e oferecer uma abordagem integral. A conduta médica em casos de violência doméstica deve ser multiprofissional e centrada na vítima, priorizando sua segurança e autonomia. A presença de hematomas e escoriações, aliada à confissão da paciente, exige uma intervenção imediata. O encaminhamento para uma consulta compartilhada com a equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) é a conduta mais adequada, pois permite a construção de um plano terapêutico interprofissional que pode incluir apoio psicológico, social, jurídico e estratégias de segurança, além da notificação compulsória, que deve ser feita de forma planejada e articulada. Acionar a polícia de forma unilateral pode expor a vítima a riscos adicionais se não houver um plano de segurança estabelecido. Da mesma forma, um encaminhamento isolado à psiquiatria não aborda a complexidade da situação de violência. A equipe do NASF, com sua diversidade de profissionais (psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, etc.), está apta a oferecer o suporte necessário para uma abordagem holística e eficaz, garantindo que a paciente receba o cuidado e a proteção de que precisa.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da Atenção Primária à Saúde na violência doméstica?

A Atenção Primária à Saúde (APS) tem um papel fundamental na identificação precoce, acolhimento, manejo e acompanhamento de casos de violência doméstica. Profissionais da APS são frequentemente os primeiros a ter contato com as vítimas e podem oferecer um ambiente de confiança para a revelação.

Como a equipe do NASF pode auxiliar no manejo da violência contra a mulher?

O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) é essencial para uma abordagem interprofissional, oferecendo suporte psicossocial, orientação jurídica, planejamento de segurança e articulação com a rede de proteção (serviços sociais, delegacias, abrigos). A consulta compartilhada permite construir um plano terapêutico abrangente e individualizado.

É sempre necessário acionar a polícia em casos de violência doméstica?

A notificação é um dever do profissional de saúde, mas a conduta de acionar a polícia deve ser cuidadosamente avaliada e, sempre que possível, discutida com a vítima, respeitando sua autonomia e segurança. O foco inicial deve ser no acolhimento, na avaliação de risco e na construção de um plano de segurança com a paciente, envolvendo a rede de apoio.

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